Emissões de carbono do setor elétrico podem ser eliminadas ainda neste século

jun, 2017

As emissões mundiais de dióxido de carbono (CO2) geradas pelo setor energético podem ser reduzidas em 70% até 2050 e completamente eliminadas até 2060, com perspectivas econômicas positivas. Esta é a principal conclusão do mais novo estudo da Agência Internacional de Energias Renováveis (International Renewable Energy Agency – Irena), intitulado “Perspectivas para a Transição Energética: Necessidades de Investimento para uma Transição de Energia Baixa em Carbono”.

Lançado em março durante o Diálogo sobre Transição Energética de Berlim, na Alemanha, o estudo mostra como uma maior participação das energias renováveis e o aumento da eficiência energética globalmente e nos países do G20 são suficientes para alcançarmos as reduções necessárias nas emissões de gases de efeito estufa para manter o aumento médio da temperatura global abaixo de dois graus Celsius, evitando os impactos mais severos das mudanças climáticas.

“O Acordo de Paris refletiu uma determinação internacional sem precedentes para agir sobre o clima. O foco deve estar na descarbonização do sistema energético mundial, já que ele representa quase dois terços das emissões de gases de efeito estufa “, lembra Adnan Z. Amin, diretor-geral da Irena. Embora globalmente o investimento necessário para a descarbonização do setor energético seja substancial – um montante adicional de US$ 29 trilhões até 2050 – ele representa apenas uma pequena parte (0,4%) do PIB global. Além disso, a análise macroeconômica da Irena sugere que esse investimento cria um estímulo que, juntamente com outras políticas pró-crescimento, irá:

  • impulsionar o PIB mundial em 0,8% em 2050;
  • gerar novos empregos no setor das energias renováveis ​​que mais do que compensarão as perdas de postos de trabalho na indústria de combustíveis fósseis, além de gerar novos empregos nas atividades de eficiência energética;
  • melhorar o bem-estar humano graças aos benefícios ambientais e de saúde proporcionados pela redução da poluição atmosférica.

“Os motivos econômicos para a transição da energia nunca foram mais fortes. Hoje, em todo o mundo, estão sendo construídas novas usinas de energia renovável que gerarão eletricidade por um custo menor do que as usinas de energia fóssil”, destaca Amin. “Até 2050, a descarbonização pode alimentar o crescimento econômico sustentável e criar mais novos empregos nas energias renováveis. Estamos em uma boa posição para transformar o sistema energético global, mas o sucesso dependerá de ações urgentes, já que os atrasos aumentarão os custos da descarbonização”, completa.

Globalmente, em 2015 foram emitidas 32 gigatoneladas (Gt) de CO2 relacionadas com a energia. O relatório recomenda que as emissões caiam continuamente para 9,5 Gt até 2050 para limitar o aquecimento a não mais de dois graus acima das temperaturas pré-industriais. A quase totalidade (90%) desta redução de emissões de CO2 pode ser alcançada com a expansão da implantação de energia renovável e da melhoria da eficiência energética.

 

Edição 134 – Março de 2017

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