Em debate: Internet pela rede elétrica – A internet pela rede elétrica é uma solução efetivamente viável?

mar, 2010

Edição 49, Fevereiro de 2010

Por Alexandre Bagarolli e Pedro Jatobá

A ideia de transmitir dados pela rede elétrica não é nada nova. De acordo com o engenheiro e professor Alessandro Cunha, data da década de 1920 as primeiras patentes da American Telephone and Telegraph Company, usando as redes trifásicas. O fato é que transmitir uma grande quantidade de dados (banda larga) é uma conquista muito mais recente, que ganhou território com a propagação da internet e com a necessidade cada vez maior de se transmitir grandes volumes de dados com altas velocidades.

 

 

No Brasil, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já aprovaram a tecnologia, permitindo que distribuidoras de energia elétrica forneçam o serviço por meio de distribuição. Algumas concessionárias já fizeram projetos piloto, mas alguns gargalos ainda atravacam o sucesso da operação.

 

A principal vantagem da tecnologia é facilidade de implantação, já que a rede elétrica alcança quase a totalidade do País, o que reduziria gastos com a infraestrutura. Para o consumidor, bastaria apenas ligar um equipamento no tomada. Entretanto, parece que o sistema ainda encontra alguns problemas técnicos, especialmente quanto ao sinal. Confira o que especialistas no assunto pensam a respeito.

 

A internet pela rede elétrica é uma solução efetivamente viável?

Alexandre Bagarolli

Engenheiro mecânico, gerente de soluções em infraestrutura de Redes do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD)

 

Dependente de competitividade ou atratividade econômica

Em termos tecnológicos, pode-se considerar a solução madura, pronta para o mercado, já que apresenta desempenhos compatíveis com outros meios de comunicação utilizados para ofertar banda larga por operadores de telecomunicações e empresas de TV a cabo, em termos de velocidades de transmissão de dados, qualidade e imunidade a ruídos.

 

Do ponto de vista regulatório, tanto a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) quanto a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), agências que regulam, respectivamente, os setores elétrico e de telecomunicações no Brasil, editaram regulamentações que orientam como proceder a oferta de serviços de comunicação via PLC ao cliente final.

 

A inserção da tecnologia no mercado vem crescendo gradativamente e algumas empresas de telecom oferecem a opção a seus clientes, mas seu crescimento no mercado depende de competitividade ou atratividade econômica, diante de outras tecnologias oferecidas.

 

O CPqD possui o único laboratório brasileiro credenciado para avaliar o desempenho da tecnologia PLC (Power Line Communication) segundo a nova regulamentação da Anatel.

 


 

Pedro Jatobá

Engenheiro eletricista, gerente do Departamento de Prospecção de Novos Negócios no Exterior da Eletrobrás e presidente da Associação de Empresas Proprietárias de Infraestrutura e de Sistemas Privados de Telecomunicações (Aptel).

 

Precisamos de um programa para rede elétrica inteligente

 

Infelizmente, da maneira que foi regulamentado no Brasil, o uso do PLC pode dificultar o planejamento futuro da evolução tecnológica das redes de distribuição de energia em direção à adoção do conceito de rede elétrica inteligente (Smart Grid) e inviabilizar a utilização comercial das redes de distribuição de energia para a prestação de serviços de comunicação e de informação. Com a atual regra, dificilmente projetos comerciais de PLC sairão do papel.

 

Afinal, precisamos analisar a utilização da tecnologia PLC no contexto da evolução tecnológica das redes de distribuição, levando-se em conta as demandas futuras que advirão das necessidades de supervisão e controle da própria concessionária e da demanda social pela ampliação das vias de acesso da população a serviços de comunicação a preços acessíveis. Considerando que a tecnologia PLC, pela sua constituição, inviabiliza a utilização simultânea da rede para mais de um sistema, não seria razoável lançar mão deste recurso para o atendimento das operadoras comerciais de telecomunicações sem uma previsão segura das necessidades futuras das próprias concessionárias. Diferentemente das características de outras modalidades de infraestrutura disponibilizadas pelas distribuidoras de energia às operadoras de telecomunicações, tais como postes, fibras óticas, etc., a possibilidade de utilizar o fio elétrico para esta função é única e não duplicável, ou seja, por limitações de interferência, cada rede de distribuição comporta apenas um sistema PLC nela instalado

 

Visando subsidiar entidades públicas e empresas associadas na evolução tecnológica em prol do conceito da rede elétrica inteligente no Brasil, a Aptel e a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) estão desenvolvendo um documento estratégico de planejamento, que será entregue ao governo com propostas concretas de ações que viabilizem a introdução planejada de novas tecnologias associadas à distribuição de energia elétrica no País de forma a maximizar os seus benefícios para a sociedade.

 

Este documento apresentará os diversos cenários associados a esta migração tecnológica e proporá as bases de um futuro programa brasileiro para a rede elétrica inteligente. Neste contexto caberá a realização de uma ampla revisão da regulação existente para a retirada dos atuais entraves, como o acima exposto, para a modernização da rede elétrica brasileira.

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