Eficiência e uso de energia

mar, 2011

Ed. 61 – Fevereiro de 2011

Por Luiz Fernando Arruda

Não se pode negar que há muitas empresas e consultores autônomos competentes no que toca à eficientização energética. O que traz grande preocupação é que, no dia a dia, cada vez mais vemos empresas sendo conectadas ao sistema de distribuição das concessionárias sem que qualquer tratamento relativo à eficiência energética tenha sido dado ao projeto e à sua execução.

Até mesmo quando ofertamos uma opção de tarifa horossazonal mais adequada ao perfil de consumo de uma determinada unidade consumidora, vemos grandes dificuldades para que o cliente se adéque a regras muito simples; mesmo com base em histórico de consumo de mais de 12 meses nota-se que há uma dose de descrédito quanto à adoção de medidas que alteram, ainda que levemente, o hábito de uso da energia ou os processos industriais (alterações factíveis, naturalmente).

Nós já sabemos das dificuldades iniciais típicas de um projetista quando contratado para fazer um projeto. É muito comum que o empreendedor comente: “Vamos até o local e você poderá perceber o que precisamos”.

No local, o que se vê são obras civis e de montagem mecânica. As máquinas compradas (muitas vezes no exterior) ainda não chegaram e pouca informação se tem sobre potências envolvidas, partidas simultâneas de motores e outras tantas informações básicas.

Aqui, portanto, entra um terceiro segmento que é peça fundamental neste processo: os profissionais e as empresas que vendem máquinas, equipamentos e processos industriais têm que estar engajados também nesta tarefa de bem esclarecer os empreendedores e nos fornecer informações precisas para que o projeto das instalações seja o mais adequado possível.

O que talvez os empreendedores não saibam é que o planejamento, também na área da eletricidade, é fundamental para um bom andamento do projeto e de sua execução e também da boa performance das instalações.

Até mesmo o nível de tensão para conexão tem que ser previsto, considerando as futuras ampliações e, para a primeira aproximação com a concessionária local, muitas informações têm que ser trocadas pelas partes. Nível de curto-circuito, existência de geração própria, forma de paralelismo, solicitação instantânea ao sistema de distribuição e tantas outras.

Quanto às ações de eficientização, nós sabemos que elas podem ser implementadas a qualquer tempo, mas sabemos também que, se um conjunto de instalações for projetado inicialmente tendo como objetivo ser eficiente, tanto melhor. E o custo associado, se comparado a qualquer reforma, é menor.

Talvez tenha faltado a nós profissionais (tanto os projetistas como os que atuam nas concessionárias) a maneira correta de sensibilizar os nossos clientes. Talvez tenhamos que mostrar a eles, antes de qualquer coisa, que se perde parte do investimento com ações não planejadas adequadamente.

Talvez tenham que ser incrementados os projetos cujo pagamento se dê por meio de resultados e, dessa forma, os empreendedores percebam melhor o valor do que precisa ser feito. Assim, todos ganham.

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