É tempo de prevenção para a Copa do Mundo

fev, 2014

Edição 96 – Janeiro 2014
Por Jobson Modena

Verão, época das tempestades e, com elas, os raios e seus temidos efeitos, tanto à vida quanto às instalações elétricas e aos equipamentos por elas servidos.

Nas próximas edições falaremos sobre o IEC/TC 62713:2013 – ed.1 – Safety procedures for reduction of risck outside a structure, um relatório técnico publicado pela IEC que oficializa conceitos relacionados à proteção pessoal contra os efeitos das descargas atmosféricas.

Enquanto isso, voltamos o foco deste artigo para a proteção de um dos pontos mais letais no ser humano: seu bolso. Para atingirmos a satisfação do bolso do brasileiro, em ano de Copa do Mundo, basta proteger seus aparelhos de mídia (por exemplo, aquela Smart TV de última geração) sem os quais ele não poderá participar da torcida para que a seleção seja hexacampeã. Assim, o torcedor precisa ter uma instalação elétrica confiável onde possa plugar seus equipamentos sem medo. Essa confiabilidade é provida basicamente por sistemas e elementos bem dimensionados e protegidos. Um dos componentes que contribui para o objetivo almejado é o Dispositivo de Proteção contra Surtos (DPS). Especificar um DPS não é tarefa extremamente complexa, mas esta também não deve ser comparada a fazer uma lista de compras para o churrasco do fim de semana. Atualmente, as especificações sobre DPSs podem ser encontradas na ABNT NBR IEC 61643-1 e as informações para sua instalação na ABNT NBR 5410, na IEC 62305 e num futuro próximo, na ABNT NBR 5419. Abordagem básica do que deve ser considerado:

– Classificação dos DPSs, que é feita a partir dos tipos de ensaio a que eles são submetidos (classe: I, II ou III);

– Aplicação e o posicionamento de cada classe, que depende da localização relacionada às Zonas de Proteção contra Raios (ZPRs), descritas na IEC 62305-4 e na futura ABNT NBR 5419-4;

– Determinação da necessidade de especificação da classe de DPS no primeiro nível de proteção verificando se a edificação possui Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas externo ou se a rede de alimentação (da concessionária ou não) é aérea;

– Determinação da corrente de impulso a que será submetido o DPS, que depende das características das descargas atmosféricas esperadas na edificação, o seu valor será função da localização, exposição às descargas atmosféricas, dimensões e conteúdo da edificação;

– Determinação da corrente nominal de descarga, já que os fatores que determinariam o seu valor são variáveis. Os valores de corrente nominal e máxima não são independentes entre si, e o projetista deve ter o cuidado de não especificar DPSs com características incoerentes ou que não tenham valores comercializados;

– Definição da expectativa de vida esperada do DPS, o que dependerá da tecnologia utilizada pelo fabricante, informada aos profissionais através do seu número de atuações;

– Determinação da tensão máxima de operação do DPS que deve ser dimensionada acima da tensão nominal da rede para compensar sobretensões temporárias. Esta medida impede o funcionamento intempestivo do DPS;

– Definição dos modos (formas) de instalação dos DPSs em função dos tipos de surtos (modo comum ou modo diferencial) que se deseja mitigar;

– Dimensionamento do dispositivo de proteção contra sobrecorrentes (disjuntor ou fusível), a ser instalado em série com o DPS e que que impede que o mesmo coloque a instalação em risco por mau funcionamento;

– Coordenação entre diferentes níveis de proteção para os DPSs em uma instalação e entre os DPSs e outros componentes, por exemplo DRs;

As recomendações básicas mostradas contribuem para que os DPSs estejam instalados de forma correta. Junte-as a outras sobre eletrodo de aterramento e encaminhamento correto de condutores de energia e sinal e reduza para quase zero as chances de você ter de assistir aos jogos na casa daquele vizinho chato ou de ter que dividir espaço num pufe de courino com algum animal de estimação exótico do seu cunhado.

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