E no futuro?

set, 2012

Edição 79 – Setembro de 2012

Por Jobson Modena

“Diário de bordo, data intergaláctica 3456e899.

 

Regressando da viagem ao planeta P-841 faltando apenas alguns anos-luz para aportarmos na já familiar doca 35 recebemos uma mensagem da coordenação de tráfego terrestre informando problemas de danos nos componentes do inversor radiônico helíptico (IrH), equipamento que impediria nosso pouso no prazo programado. Relatos de outra nave da empresa indicavam que um especialista fora chamado e que, após vários ensaios pentadimensionais, constatou que o valor da resistência ôhmica do eletrodo de aterramento que servia aos componentes da instalação era superior a 5 Ω, valor máximo determinado pelo fabricante para que o IrH funcionasse corretamente. Assim, ele concluiu ser esta a causa da falha em um dos difusores basálticos (componente do IrH) após a exposição do equipamento a um pulso eletromagnético disparado intempestivamente por uma das armas que protegem a plataforma de pouso.

 

Como já estávamos há mais de 15 anos-luz fora de casa, o comandante levou os fatos a conhecimento do engenheiro chefe, responsável pelo já renomado bom funcionamento de nossa nave, solicitando auxílio na resolução da questão a fim de pousarmos o mais rápido possível e de forma segura.

Após breve comunicação e troca de informações técnicas com o pessoal da base, o engenheiro chefe emitiu um documento, aqui resumido, com as seguintes recomendações:

  • Alteração no eletrodo de aterramento para que este tivesse dimensão e topologia adequada a fim de dispersar correntes espúrias no solo sem causar tensões superficiais acima das suportáveis pela instalação e seus operadores;
  • Encaminhamento correto dos cabos de energia e de sinal, eliminando possíveis laços;
  • Utilização do conceito de equipotencialização para minimizar diferenças de tensão que eventualmente surgissem entre componentes a níveis suportáveis, inclusive enfatizando a instalação de conjuntos de DPSs para minimizar surtos de modo comum e de modo diferencial;
  • Estabelecimento de zonas de proteção por meio de blindagem em diversos pontos das instalações e estruturas até o equipamento em questão.

Após certa discussão, os engenheiros da plataforma decidiram pela troca do IrH e pela implementação dessas recomendações, o que contribuiu para chegarmos em casa seguros e com muita experiência extraterrestre para compartilhar com os nossos”.

Guardadas as devidas proporções e os absurdos propositalmente apresentados, será que teremos a infelicidade de, no futuro, a realidade técnica atual ainda fazer parte desta ficção?

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