E lá vamos nós!

fev, 2016

Edição 120 – Janeiro de 2016
Por José Starosta – Consultor Técnico

Contrastando com a felicidade da celebração do décimo aniversário da nossa revista “O Setor Elétrico”, as perspectivas para o nosso país em 2016 não são lá tão favoráveis. Enquanto nesses dez anos, intensas discussões, debates, transmissão de conhecimento e divulgação de produtos, serviços e do mercado de instalações elétricas foram promovidas pela revista, assistimos a apreensivos quais serão os desdobramentos que ocorrerão na gestão e em particular na economia do Brasil.

Como esperado, ao final de 2015, ocorreu a troca de ministros da economia e, ao entregar o bastão, o ministro Levy passou a impressão de ter feito sua lição de casa, e que o sucessor, se tivesse juízo, seguiria no mesmo caminho, mesmo soltando um pouco o freio. Não parece que as mudanças sejam importantes e o modelo será mantido. Sair dos dois dígitos da inflação anual com uma taxa básica de juros maior que 14%, além do PIB negativo verificado em 2015 e também esperado para 2016 são argumentos suficientes para qualquer economista de plantão desfilar as mais trágicas previsões. E aí, o que faremos? Anuncia-se um pacote de investimento ao setor produtivo com financiamento por bancos estatais, será? A que taxa? Falando em ministros, haja saúde para suportar os pronunciamentos do ministro da ”própria”. Claro que seus colegas das outras pastas não deixam por menos e também rasgam o besteirol; quando teremos ministros que rezam as cartilhas de suas pastas?

Não dá efetivamente para sentar e chorar, já que nossas empresas têm que sobreviver (aliás, sobrevivência de empresas parece que não é assunto importante para aqueles que ditam as regras em Brasília). Nosso setor apresenta para este ano algumas boas novidades e desafios a serem explorados.

  • O aspecto da análise tarifária está em alta, com um mercado livre que ressurge em função dos altos custos do mercado cativo incrementados pela falta de chuva e uso de fontes térmicas já aqui discutidas e da própria recessão da economia que reduz naturalmente o preço da energia no mercado livre;
  • As bandeiras tarifárias deverão ser reformadas com a inclusão de mais um tipo de bandeira vermelha, teremos, então, a bandeira vermelha 1, no caso mais crítico, e a bandeira vermelha 2, no caso intermediário (não confundir com bandeira 2), além das bandeiras amarela e verde. Novas tarifas foram publicadas com um desconto em relação aos valores anteriormente praticados. Em abril, esperam-se novidades. O que importa é que realmente existam ferramentas de gestão e sinalizações rápidas ao mercado;
  • Os agentes do mercado cativo terão que ser mais criativos para se manterem vivos e o poder regulador terá que ajudar. Novos modelos terão que ser criados, como novas proporções de precificação entre consumos e demandas, tarifa branca e outros;
  • A nova resolução Aneel 687 (REN 687) estabelece uma série de mudanças em relação à anterior (REN 482 de 2012), detalhada no primeiro capítulo do fascículo sobre geração distribuída publicado nesta edição. Muitas ideias novas surgirão e com elas novos projetos incluindo geração com fontes renováveis e sustentáveis;
  • O COP 21 nos traz esperanças para bons projetos com foco em sustentabilidade e em eficiência energética;
  • Aspectos de segurança de instalações, aspectos de qualidade da energia de instalações, normalização de instalações e certificações são alguns pontos que podem movimentar o mercado.

Façamos a nossa parte, enquanto se espera que o trem de Brasília entre nos trilhos após estas “merecidas” férias de janeiro inteiro. Que tenhamos força, fé e equilíbrio.

Parabéns à equipe de “O SETOR ELÉTRICO” por fazer esta revista cada vez melhor!

Eng. José Starosta
Consultor da revista O Setor Elétrico
consultor@osetoreletrico.com.br

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