Definindo um sistema de iluminação em atmosferas explosivas com gases e vapores

set, 2009

Edição 43, Agosto de 2009

Por Nelson M. Lopez

Definindo um sistema de iluminação em atmosferas explosivas com gases ou vapores

Muitas são as dúvidas que aparecem normalmente para o projetista diante da necessidade de um projeto de iluminação de um ambiente industrial sujeito a riscos de explosões. Antes mesmo de definir o tipo de iluminação, a primeira dúvida a surgir é se a área é ou não classificada.

A rigor, esta informação (se a área é ou não classificada) deveria ser definida e fornecida pelo dono do empreendimento, conhecedor do que é produzido, das matérias-primas a serem utilizadas, dos processos de produção, etc. O fato é que nem sempre ele sabe e, se souber, na maioria das vezes, é uma informação vaga. Se considerarmos que o projetista pode ser responsabilizado civil ou criminalmente em caso de um desastre por culpa de um sistema de iluminação que foi mal especificado, será então “fundamental” que esse profissional elabore preliminarmente o desenho de classificação de áreas (que deve ser aprovado pelo cliente) e logo depois defina “passo a passo” o que fazer.

 

 

1º Passo

Extrair do desenho de classificação de áreas a informação sobre grupo e classe de temperatura do local em que será feita a iluminação. Se a área, por exemplo, for classificada por Hidrogênio ou Acetileno, os equipamentos serão diferentes do caso em que a área for classificada por Diesel, Querosene ou N-Hexana, etc.

2º Passo

Conhecidos o grupo e a classe de temperatura e o zoneamento em que as luminárias serão instaladas, o projetista deverá definir o tipo de iluminação que será especificada, sendo necessário então saber o nível de iluminamento, a necessidade ou não da discriminação de cores, etc. Isto o levará a definir se o local terá iluminação incandescente, fluorescente, mista, de vapores metálicos, etc., o que é importante para o próximo passo, em que terá que escolher os “tipos de proteção”.

3º Passo

Nesta etapa, o projetista será obrigado a definir os “tipos de proteção” que as luminárias deverão ter, destacando que elas poderão, por exemplo, ser à prova de explosão, ou de segurança aumentada, ou não acendíveis, etc. (de acordo com o zoneamento).

É fundamental lembrar que os equipamentos de iluminação do tipo “à prova de explosão”, por força de seu design (enclausuramento, grades de proteção, vidros resistentes, etc.), possuem um rendimento luminoso baixo. Seja qual for o tipo (ou tipos) de proteção escolhidos, estes terão que ser “necessariamente certificados”, conforme determina a legislação em vigor, obedecendo ao Sistema Brasileiro de Certificação.

4º Passo

A instalação poderá obedecer ao sistema recomendado pelo NEC (método americano), que utiliza eletrodutos metálicos de paredes grossas com unidades seladoras e caixas de junção e derivação blindadas e fiação com fios singelos. De outra maneira, o profissional poderá escolher o sistema IEC com leitos, bandejas e perfilados, alojando a fiação, que poderá ser cabo multifilar entrando nos equipamentos com prensa-cabos.

A Associação Brasileira para Prevenção de Explosões (ABPEX) distribui gratuitamente o “Pequeno Manual Pratico de Instalações Elétricas em Atmosferas Explosivas”, impresso em forma de livreto para os profissionais de eletricidade que lidam com esta área. Para adquiri-lo, basta enviar um envelope selado, endereçado a seu nome dentro de outro envelope endereçado a ABP-Ex, contendo seus dados para cadastro, (empresa onde trabalha, cargo, telefone, e-mail) para envio de futuras edições, haja vista que o Manual será revisado anualmente, recebendo seu exemplar pelos Correios.

 


 

Nelson M. Lopez é engenheiro eletricista e presidente da Associação Brasileira para Prevenção de Explosões (ABPEX).

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