De olho nas redes subterrâneas

jul, 2010

Edição 54 – Julho de 2010
Por Weruska Goeking

Especialistas sempre defenderam a segurança das redes subterrâneas, mas acidentes na capital fluminense têm levantado dúvidas sobre a qualidade das instalações

 

No mês de julho, as redes subterrâneas marcaram presença nos noticiários, mas, infelizmente, não foi por um bom motivo. Foram registradas três explosões em menos de 15 dias entre os meses de junho e julho – inicialmente ligadas a problemas com as redes subterrâneas de energia elétrica e gás – em bueiros dos bairros de Ipanema e Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ). Se levarmos em consideração todos os acidentes semelhantes ocorridos desde o início do ano, já foram 12 acidentes (até o fechamento desta edição), chegando a ferir gravemente duas pessoas em uma das ocasiões.

 

Os acidentes estão levantando suspeitas sobre a real segurança desses sistemas, que costumam ser defendidos por especialistas como sendo mais seguros do que as redes aéreas. Aliás, a segurança e a confiabilidade dos sistemas subterrâneos foram alguns dos assuntos debatidos em um evento recente do segmento, a 6ª edição da Exposição e Fórum Internacional de Produtos, Serviços e Tecnologias para Redes Subterrâneas de Energia Elétrica, que aconteceu nos dias 28 e 29 de junho.

Na ocasião, o coordenador do Comitê Técnico da 6ª edição da Exposição e Fórum Internacional de Produtos, Serviços e Tecnologias para Redes Subterrâneas de Energia Elétrica, João José dos Santos Oliveira, falou da importância de mudar o código de obras de cada cidade para que os cabos de energia não dividam espaço com a canalização de gás e esgoto.

“Com os espaços definidos, o subsolo das ruas seria usado apenas para esse tipo de tubulação e os equipamentos e os cabos elétricos seriam instalados em ambientes secos”, explica o coordenador que defende a ideia de que espaços públicos, como shoppings e hospitais sejam usados para acomodar as instalações subterrâneas. “Um transformador, por exemplo, caberia embaixo de uma vaga do estacionamento”, conclui.

Um laudo preliminar do acidente que fez duas vítimas aponta que a causa foi um curto-circuito e que não havia indícios de vazamento de gás no momento da explosão do bueiro. Já o presidente da concessionária responsável pelas instalações (Light), Jerson Kelman, discorda da perícia e defende que apenas o curto-circuito não ocasionaria a explosão e que outros fatores devem estar associados.

Os acidentes já despertaram a atenção do Ministério Público Federal, que abriu uma investigação para checar os trabalhos da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em relação à Light e os acidentes. Até o fechamento desta edição a investigação ainda não havia sido concluída.

Fato é que as duas empresas envolvidas na investigação – a Light e a CEG (concessionária de gás) – já afirmaram à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico que não há solução de curto prazo para o problema e que a reforma e substituição das redes só pode ser completada em 2014. Os empecilhos seriam a limitação de equipamentos e profissionais.

A falta de mão de obra qualificada para todo o processo de instalação das redes subterrâneas – planejamento, projeto, construção, operação e manutenção – foi um dos pontos negativos dessa tecnologia apontados pela engenheira eletricista e diretora da Eletronord, Maria do Amparo Pessoa Ferraz, durante o evento. A especialista ainda enfatizou que, sem um monitoramento ostensivo das redes, toda a operação e a manutenção preventiva das redes ficam comprometidas.

Já que a reforma das instalações elétricas subterrâneas – que são as mais antigas do Brasil – só deve ficar pronta na próxima Copa do Mundo, a Light se comprometeu a aumentar o número de inspeções anuais, saltando de nove mil caixas de passagem averiguadas para 16 mil. Além disso, a concessionária também afirmou que irá vistoriar todas as caixas transformadoras.

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