Crise de água: “chovendo no molhado”

dez, 2014

Edição 106 – Novembro de 2014
Por Michel Epelbaum

E lá vamos nós “chover no molhado”, abordando novamente a crise da água na região Sudeste, que se agravou. Independentemente das chuvas de verão, os próximos anos serão críticos, até retomar os níveis normais nos sistemas de abastecimento afetados (desde que São Pedro coopere). Agora a população está mais preocupada e disposta a tomar ações.

As consequências da falta de água vão de racionamento em muitas cidades, banhos de madrugada (quando tem água), pessoas que andam longas distâncias para buscar água potável, redução de vazão e até parada de usinas hidrelétricas (como a de Camargos, na Bacia do Rio Grande/MG). Os níveis dos reservatórios já estão inferiores aos que levaram ao “Apagão” de 2001. Mesmo levando em conta que há maior capacidade de reação atualmente, o país poderá chegar a maio de 2015 com um risco de racionamento de energia de 35%, de acordo com a consultoria PSR. O custo da energia e a capacidade de fornecimento preocupam várias indústrias. Para se ter uma ideia, a Honda iniciou em novembro a operação de um parque eólico em Xangri-lá (RS) – Fonte: Jornal O Estado de São Paulo, 29/10/14.

Esquecendo a parte de São Pedro no problema, a causa e a demanda maior que a oferta é falha de gestão.

Oferta

– Os mananciais disponíveis são os mesmos, buscando-se novas fontes cada vez mais distantes, com aumento de custos e das já elevadas perdas na distribuição;

– As fontes de água existentes sofrem grandes pressões pela expansão urbana – por exemplo, na região metropolitana de São Paulo;

– A poluição dos rios e mananciais nestas regiões inviabiliza o uso da água. Os processos de despoluição avançaram, mas muito lentamente. O Projeto Tietê iniciou-se em 1991, mas ainda deve levar alguns anos para finalização;

– A oferta de água subterrânea poderia ser expandida em algumas regiões, mas com limites;

– A perspectiva de chuvas para 2015 não é muito animadora, segundo a meteorologia. 

Possíveis soluções

– Acelerar os projetos de tratamento de esgotos e despoluição dos rios e usar parte desta água mais limpa para usos compatíveis – resolve dois problemas ao mesmo tempo;

– Aumentar a taxa de reuso de água tratada para fins compatíveis – esta taxa atualmente é muito baixa (3,9% em São Paulo, segundo a Sabesp – Fonte: Jornal O Estado de São Paulo, 01/11/14). O Governo de São Paulo anunciou em novembro a construção de estações de tratamento de água para reuso, sendo a primeira na Marginal Pinheiros (capital) até dezembro de 2015;

– Reforçar a proteção dos mananciais;

– Ampliar o uso de água subterrânea;

– Reduzir perdas na distribuição;

– Buscar novas fontes de água limpa, interligar e transpor os diversos mananciais.

Demanda

– Aumento pelo crescimento da população, melhoria de padrão de vida e da tecnologia, e pela ampliação do desperdício. Entre 2004 e 2013, por exemplo, o consumo de água nos 33 municípios da região metropolitana de São Paulo aumentou 26% diante de 9% de aumento de sua produção. (Fonte: Folha On-line, 03/04/2014.)

Possíveis soluções

– Racionalização do consumo pelos hábitos da população – é o que se vê diariamente nos noticiários, como na economia de água no banho, piscina e água fechada de condomínios em certos horários, não lavar carro, etc.;

– Uso de dispositivos econômicos, como descargas econômicas, torneiras com desligamento automático ou redutores de pressão;

– Incentivo ao reuso de água e captação de água de chuva (quando voltar a chover), inclusive por meio de legislação municipal sobre edificações;

– Medidas de racionalização do consumo de água em atividades produtivas – como é o caso do Projeto de Lei de São Paulo nº 1.326 de 24/10/14, que institui o Programa Estadual de Incentivo ao Uso de Produtos Biodegradáveis para Lavagem e Higienização a Seco em Veículos – LAVSECO-SP, estimando economia de mais de dois bilhões de litros de água por mês.

O momento é grave nestas regiões e todos já estão sendo afetados. Economizar água significa também reduzir riscos de fornecimento de energia, reduzir custos e evitar racionamentos para fins mais nobres. Vamos agir?

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