Controle de energia por medição remota

ago, 2009

Edição 42, Julho de 2009

Por Marco Antonio Saidel, Sylvio Almeida Jr., André Luis Veiga Gimenes, Luis Fernando Kurahassi e Pascoal Henrique da Costa Rigolin

Desenvolvimento de sistema computacional para gerenciamento e controle de dados e in-formações de energia elétrica por medição remota

Este artigo apresenta um projeto de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) que objetiva atender parte dos novos desafios e demandas identificados pela AES Eletropaulo junto a seus consu-midores. No caso específico dos consumidores públicos, público-alvo do projeto, a inadim-plência representa perda significativa de faturamento para a concessionária. Ações recen-tes da empresa, de aproximação com os consumidores do setor público, têm-se mostrado eficientes na redução deste percentual de inadimplência.

Como resultado destas ações, identificou-se que, por meio do conhecimento e acompa-nhamento detalhado de seu consumo, pode-se atuar de forma a reduzir a inadimplência, introduzindo uma melhor interlocução junto aos administradores públicos e, principalmente, propiciando previsões mais acuradas sobre valores futuros de faturas de energia para fins de inclusão orçamentária, problema frequente da administração pública. Dessa forma, procu-ra-se descrever neste artigo as características do sistema desenvolvido no projeto de P&D em questão, bem como os resultados esperados de sua aplicação ao setor público.

Eficiência energética

No setor público

Dados do Balanço Energético Nacional de 2008 mostram que o setor público é responsável por 1,25% do consumo total de eletricidade no Brasil, tendo apresentado crescimento de 73% nos últimos 15 anos. O crescimento anual do consumo de eletricidade neste setor, no período de 1992 a 2007, é predominantemente superior ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), de 60% no período. Uma análise dos dados do Balanço também revela que a eletricidade é a forma de energia mais utilizada no setor público, correspondendo a 81,5% do total de energia consumida pelo setor.

Em geral, as edificações públicas raramente incorporam em suas instalações ou processos gerenciais recursos eficientes ou ferramentas adequadas voltadas para a gestão da ener-gia elétrica, bem como os usuários das edificações não são envolvidos em campanhas de educação de combate ao desperdício de energia. A carência de recursos e conhecimen-to para desenvolver a gestão de contratação e de uso da energia é reconhecida no setor público e ratificada pelas experiências com ações de eficiência energética que são desen-volvidas.

Sistemas públicos, por exemplo, iluminação e saneamento, apresentam grande potencial de aumento da eficiência energética. A boa gestão nestes serviços pode proporcionar me-lhores condições para expandir suas atividades com qualidade e racionalidade, sem que isso implique um proporcional aumento de consumo.

A gestão pública conta com recursos escassos se confrontando com a intensidade e a-brangência das demandas apresentadas pela sociedade. A gestão da energia elétrica não é uma solução para a falta de recursos do setor público, mas pode contribuir significa-tivamente para reduzir os impactos deste insumo essencial nas contas públicas e permitir a destinação de tais economias para outras iniciativas socialmente mais necessárias.

Nesse sentido, a gestão energética pública é um assunto ainda incipiente no Brasil. Raras são as administrações locais que fazem, por iniciativa própria, a gestão dos gastos com ele-tricidade ou que adotam medidas de eficiência e combate ao desperdício de energia. Es-ta gestão apresenta-se como um importante instrumento para a gestão dos gastos com e-letricidade. Sua aplicação deve resultar na redução das despesas da administração públi-ca, podendo-se gerar recursos que podem ser aplicados em áreas prioritárias, como saúde e educação.

A eletricidade é um item fundamental para a prestação de grande parte dos serviços pú-blicos e, em maior ou menor representatividade, tem impacto direto na composição dos custos relativos a estes serviços. Os gastos com eletricidade podem variar de acordo com a maneira como ela é utilizada e como é adquirida da empresa fornecedora. Fazer a gestão deste insumo envolve utilizá-la de maneira eficiente, reduzindo desperdícios e buscando administrar faturas e contratos para obter o menor valor possível na compra da eletricida-de.

O caso da AES Eletropaulo

Diversas experiências com a implantação de projetos e desenvolvimento de investigações científicas mostram significativo potencial de economia de energia e, portanto, redução de custos no uso de energia pelo setor público. Tais experiências ou investigações abordam a implantação de ações de gestão dos recursos e eficiência energética, atuando-se nas duas pontas: a gestão da contratação da energia e a gestão do uso final de energia, tra-tando os aspectos gerenciais, tecnológicos e comportamentais. Nesse contexto, a conces-sionária vem, ao longo de todos os seus Programas de Eficiência Energética, investindo em ações com o setor público. Os investimentos do ciclo 2003/2004 podem ser visualizados na Figura 1.

Figura 1 – Investimento total em eficiência energética por setor – Ciclo 2003/2004

Os resultados de tais investimentos no setor público são expressivos conforme apresentado na Tabela I e na Figura 2.

TABELA I

ECONOMIA ESTIMADA NAS AÇÕES DE EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

* O valor do mercado de energia da AES Eletropaulo para este período foi de 32.809 GWh/ano, segundo in-formações levantadas no site da empresa (www.eletropaulo.com). O setor “Prestadores de Serviços” assim como “Órgãos Públicos” foram incluídos no setor “Outros”.

Figura 2 – Energia economizada por setor (kW)

A exemplo do que foi descrito anteriormente, o setor público do Estado de São Paulo não é exceção e seus órgãos apresentam elevados e crescentes gastos anuais com energia elé-trica, não possuindo uma estrutura eficaz para gerenciamento, controle e correção de irre-gularidades contratuais, multas, consumos excessivos, pagamentos adicionais, etc. Este fato ocorre devido principalmente à grande quantidade de unidades descentralizadas e à falta de um órgão centralizado para gerenciamento e controle dos dados referentes à contra-tação de energia elétrica.

Além deste segmento, diversos outros clientes corporativos da área de concessão da AES Eletropaulo apresentam características semelhantes, no que tange à necessidade de uma gestão centralizada dos múltiplos pontos de consumo e identificação de potencialidades decorrentes de uma gestão com tais características. Diante desta necessidade de clientes tão significativos na composição de seu mercado, a AES Eletropaulo identificou como sen-do de fundamental importância para a melhoria no atendimento realizado, a criação de uma ferramenta computacional ágil e flexível para a coleta, sistematização e análise cen-tralizada de dados de faturamento de clientes de grande porte e/ou com mais de uma u-nidade consumidora.

Para tanto, a concessionária decidiu desenvolver um projeto de P&D em parceria com o Grupo de Energia do Departamento de Engenharia de Energia e Automação Elétricas da USP (GEPEA), dada sua experiê

ncia no desenvolvimento de metodologias e ferramentas pa-ra gestão energética voltada ao setor público, e com a MGD engenharia, responsável pe-las implantações em campo requeridas pelo projeto.

 

A USP e a gestão energética no setor público

O papel das universidades é contribuir com a geração e a difusão do conhecimento, bus-cando alternativas que ajudem a ampliar os meios de busca da sustentabilidade, em que a eficiência energética desempenha um papel fundamental. Neste sentido, a USP vem ao longo destes dez anos, por meio do Programa Permanente para o Uso Eficiente de Energia Elétrica na USP, desenvolvendo a gestão da energia elétrica e disseminando conceitos de uso racional e eficiente de energia na comunidade, onde, em parceria com o GEPEA-USP, desenvolveu duas ferramentas centrais para a gestão de energia da USP, o Contaluz e o Sisgen.

De forma resumida, o Sisgen monitora on-line e em tempo real a evolução de grandezas elétricas em 115 pontos de consumo da universidade nas 19 cidades do estado de São Paulo em que está presente. No caso do Contaluz, o sistema permite a sistematização, aná-lise e acompanhamento das mais de 300 faturas mensais da USP, de forma a identificar e auxiliar a gestão de problemas, como multas por atraso de pagamento, ultrapassagem de demanda, equívocos de faturamento, não atendimento às solicitações de reenquadra-mento ou mudança de demanda.

O SISTEMA DE GESTÃO PROPOSTO

O sistema proposto para desenvolvimento do P&D da AES Eletropaulo teve por objetivo de-senvolver uma ferramenta computacional para gerenciamento de energia elétrica por meio de sistema remoto de coleta de informações e dados de consumo com foco em consumidores do setor público atendidos em média e alta tensão e/ou com uma ou mais unidades consumidoras.

Procurando oferecer um sistema que efetivamente contribua para gestão energética do setor público, estabeleceram-se, calcadas na experiência de demandas semelhantes a-tendidas pela USP, as características de um sistema computacional integrado, capaz de coletar e gerir tanto dados instantâneos de grandezas elétricas como dados consolidados de faturas de energia.

O sistema proposto integra características de coleta e gestão de grandezas on-line e em tempo real com a coleta e sistematização de dados de faturamento, permitindo, ainda, estimar a fatura de um período com base em dados históricos e em seu consumo acumu-lado no momento da previsão, permitindo estimativas de gastos com energia antes do final do período de faturamento.

Módulo de gestão de grandezas on-line

O módulo de grandezas on-line do sistema envolve a coleta, análise e monitoração de dados de consumo de energia em tempo real, tais como: demandas ativa, reativa e apa-rente, armazenando os valores máximos ocorridos; energias ativa, reativa e fator de potên-cia, armazenando sua natureza capacitiva ou indutiva, bem como valores mínimos ocorri-dos. Nos casos em que a instalação se faz por meio de transdutores, monitora-se tensões e correntes por fase. O acompanhamento dos dados coletados é realizado por meio de um software de monitoramento que trata essas informações e as apresenta, numérica e grafi-camente, na forma de grandezas energéticas que caracterizam o uso da energia elétrica. Tais grandezas são apresentadas segundo os três segmentos horossazonais (ponta, fora de ponta e reservado), diferenciados graficamente por cores para uma melhor visualização (Figura 3).

Figura 3 – Curva teste de carga diária – módulo de gestão de grandezas on-line

Este módulo do software é constituído de três sub-módulos principais: módulo de aquisição de dados, módulo autônomo de supervisão e software de gestão. O módulo de aquisição de dados funciona de forma totalmente autônoma, dispensando qualquer intervenção por parte dos usuários do sistema. Estando instalado em uma base de aquisição, o equipamen-to coleta os dados dos registradores de pulso e transdutores de energia e os envia para o servidor que abriga o banco de dados central.

O módulo autônomo de supervisão tem a função de verificar a integridade dos dados co-letados e emitir alarmes para os gestores das unidades monitoradas. Este software pode es-tar instalado no próprio servidor que abriga o banco de dados. Os alarmes são enviados por e-mails toda vez que as grandezas medidas estiverem fora de uma faixa de valores espe-rados ou quando alguma unidade de medição não estiver enviando seus dados.

O software de gestão é a interface entre o sistema de gerenciamento e seus usuários. Por meio deste programa, o gestor tem acesso às informações do banco de dados central e pode visualizar as características de consumo da(s) unidade(s), emitir relatórios e fazer análi-ses. Software de gestão é o nome dado ao programa usado para visualizar os dados arma-zenados no banco de dados central. Este programa pode ser instalado no próprio compu-tador do usuário, desde que este tenha acesso à rede. Graças aos vários gráficos e relató-rios disponíveis neste programa, os gestores podem fazer o gerenciamento do consumo de energia elétrica de uma ou várias unidades consumidoras de forma prática e otimizada.

O Banco de Dados Central é atualizado constantemente, o que torna o software de gestão uma poderosa ferramenta de monitoramento on-line. Com ele, o usuário tem acesso ao gráfico da curva de carga diária, ou seja, o perfil do consumo de energia de sua unidade ao longo de um dia, conforme mostrado na Figura 3. Esta funcionalidade é muito importan-te, pois permite ao gestor identificar qualquer anormalidade mediante comparação com os dias que apresentam curvas de carga com o perfil típico daquela instalação.

Além disso, o gestor da unidade pode visualizar graficamente o consumo acumulado do mês e qual a projeção para o fim daquele período de faturamento, observando se o con-sumo previsto está atendendo a uma meta estipulada e permitindo antecipar a fatura para o final do período de faturamento. Os valores de antecipação de fatura se baseiam nas projeções efetuadas sobre as grandezas elétricas monitoradas on-line e sobre os dados his-tóricos de faturas, armazenados no módulo de Gestão de Faturas Consolidadas. Os consu-mos diários e o gráfico de projeção são apresentados na Figura 4.

Figura 4 – Gráfico de teste de consumo e projeção para o fim do período de faturamento

Todas as informações disponíveis de forma gráfica. Também podem ser gerados relatórios para impressão que podem ser convertidos em planilhas para MS Excel ou documentos em formato MS Word para facilidade do usuário. Esta funcionalidade do programa permite também que o gestor esteja cotejando a fatura de energia elétrica enviada pela conces-sionária com os dados coletados pelo sistema de gerenciamento de energia.

Módulo de gestão de faturas consolidadas

A especificação do módulo de gestão de faturas foi desenvolvida em três etapas. A primei-ra consistiu na identificação do perfil dos futuros usuários. Considerando que nem todos pos-suíam formação técnica na área de energia, o que poderia gerar dificuldades na correta interpretação dos dados da fatura de energia, definiu-se que o sistema deveria ter uma in-terface amigável que possibilitasse a entrada manual dos dados, que seriam transcritos pa-ra o sistema a partir das faturas de energia, com a mínima possibilidade de erro.

 

Para atender a esta demanda, optou-se por criar telas de entrada de dados visualmente idênticas às faturas
emitidas pela concessionária. Os dados constantes nas faturas de ener-gia variam com os diferentes tipos de enquadramento tarifário (Figura 5).

Figura 5 – Exemplo de interface de entrada de dados que procura reproduzir a aparência de fatura de energia do tipo THS Verde

Essa estratégia, além de ter um impacto direto na aplicação do sistema, reduz a tarefa de interpretar a fatura de energia a uma transcrição simples e direta. A segunda etapa baseou-se na análise do ambiente de trabalho. Para que fosse viável a entrada de dados a partir de diferentes cidades e observando as facilidades de acesso aos meios de informa-ção dos futuros usuários, concluiu-se que o sistema deveria operar pela internet.

Deveriam ser criados diferentes níveis hierárquicos para o acesso ao sistema. Estes níveis fo-ram definidos de acordo com o perfil do usuário. Após a entrada de dados, o sistema deve-ria trabalhar com as informações e gerar para o usuário relatórios gerenciais. Em uma ter-ceira etapa, foram avaliados quais seriam os relatórios e quais informações poderiam ser relevantes para a tomada de decisão no processo de gestão de energia.

Também se concluiu que recursos automáticos de controle deveriam ser incorporados. O sistema poderia avisar o usuário sobre a ocorrência de desvios a partir de valores de refe-rência fixados por um administrador do sistema. Após a conclusão das fases de especifica-ção e modelagem, com o objetivo de facilitar manutenções futuras e permitir o manuseio direto da base de dados para a geração de relatórios e análises ad hoc por pessoal não técnico, o sistema foi construído com base em tecnologia Microsoft (ASP com Base de Da-dos SQL Server).

A partir dos dados de demanda e consumo de eletricidade, que estão contidos nas faturas de energia elétrica, e baseando-se em informações físicas, de uso e de ocupação das edi-ficações, o sistema é capaz de gerar relatórios e prover informações que permitem aos ges-tores tomar decisões para otimizar as despesas com eletricidade.

De forma resumida, o sistema proposto tem como características:

Interface com o usuário: o sistema opera em ambiente Internet, sendo necessário ao usuário apenas dispor de um microcomputador conectado a esta rede e estar cadas-trado para utilizar o sistema. As telas terão interface amigável, com sistemas de busca e de resultados de fácil utilização;

Entrada de dados: os dados que vão alimentar o sistema podem ser carregados manu-almente pelo usuário, por meio do preenchimento de campos em telas específicas que estarão disponíveis no sistema ou pela importação de dados. As telas para entrada ma-nual reproduzem a aparência da fatura da concessionária, de forma a permitir que a entrada manual de dados seja efetuada por pessoal não especializado.

Relatórios: o sistema possibilita gerar relatórios gerenciais, tais como:

Acompanhar o consumo de eletricidade mês a mês de uma unidade consumidora ou de um grupo de unidades consumidoras;

Obter valores médios de consumo e despesa com eletricidade dentro de um perío-do específico para uma unidade consumidora ou para um grupo de unidades con-sumidoras, comparando estes resultados com valores de referência;

Mostrar a relação de unidades consumidoras cadastradas, bem como o tipo de en-quadramento tarifário de cada uma;

Observar a ocorrência de multas, em quais unidades elas ocorrem, seus respectivos valores e suas origens;

Estabelecer indicadores de consumo específico, os quais podem ser relacionados com características físicas e de ocupação da unidade consumidora;

Obter informações detalhadas por unidade consumidora, relativos a cadastro, con-sumo, dados de ocupação;

Funções automáticas: o sistema também dispõe de alarmes que avisam automatica-mente os gestores sobre ocorrências importantes para o processo de gestão, tais co-mo:

Aviso de comunicação sobre vencimento do contrato de fornecimento para unida-des de média tensão;

Aviso de comunicação sobre ocorrência de valor de consumo muito superior a um patamar estabelecido a partir da média de consumo para as unidades consumido-ras;

Aviso de comunicação sobre multas;

Aviso de comunicação sobre o não lançamento de contas para determinado mês;

Módulo de análise tarifária: o sistema deverá dispor de um módulo que permite simular, com base no histórico de faturas, o melhor enquadramento tarifário para unidades de média e alta tensão.

Níveis de acesso: o sistema tem um módulo de acesso que permite a um administrador cadastrar usuários e dar-lhes atributos que definam o nível de interação que cada um poderá ter com o sistema.

Além dessas variáveis, a consolidação de faturas permite a criação e o acompanhamento de indicadores mensais de intensidade energética baseando-se em informações referentes às características das unidades consumidoras, fornecidas pelos usuários, tais como:

Saneamento – Abastecimento de água:

kWh / m³ de água captada;

kWh / m³ de água tratada;

kWh / m³ de água distribuída;

kWh / m³ de água faturada.

Educação:

kWh / m²construído;

kWh / nº de professores;

kWh / nº de salas de aula;

kWh / nº de funcionários.

Dessa forma, o ferramental proposto será de grande valia, na medida em que ampliará o espectro de ferramentas e possibilidades de análises voltadas à gestão de energia que a AES Eletropaulo tem oferecido a seus clientes.

PROJETO PILOTO

O projeto conta com o apoio e participação da Secretaria de Energia, Recursos Hídricos e Saneamento do Governo do Estado de São Paulo, que tem interesse em utilizar o sistema na administração pública estadual. Para análises e ajustes na operacionalidade do softwa-re, bem como análise de viabilidade do sistema frente a seus benefícios, foi instalado um projeto piloto na Estação de Tratamento de Água Alto Cotia da Sabesp, por indicação da Secretaria de Recursos Hídricos e Saneamento.

Esta estação conta com dois transformadores de 1.500 kVA cada e um auxiliar de 45 kVA, com tensão de alimentação de 13,2 kV, em sua cabine primária. Como principais cargas elétricas, a Estação possui três motores de 500 cv/440V – sempre com dois operando e um em revezamento automático, dotados de inversores de frequência, um motor de 300 cv e um motor de 350 cv.

Paralelamente ao sistema, estão instalados equipamentos de referência e efetuadas medi-ções para verificação de eventual queda de consumo decorrente do gerenciamento reali-zado. O projeto piloto se encontra em curso e, após o término das medições e avaliação por parte dos usuários, será levantado o potencial de replicação aos demais órgãos da administração estadual de São Paulo.

CONCLUSÕES

O projeto apresentado é um significativo passo da AES Eletropaulo em direção ao reconhe-cimento estratégico da eficiência energética para a empresa, ao colocá-la como tema de desenvolvimento de P&D. O sistema tem o foco no cliente, procurando oferecer-lhe infor-mações gerenciais sobre consumo em tempo real e gastos financeiros com energia elétri-ca, com a possibilidade de avaliação antecipada das despesas futuras com eletricidade.

A integração de diversas ferramentas que subsidiam a gestão de energia em um único sis-tema agrega valor aos serviços prestados pela concessionária e contribui para aumento da transparência na relação empresa/cliente. No caso do setor público, estratégias de apro-ximação com estes consumidores têm-se mostrado eficientes na redução da inadimplên-cia, que atualmente apresenta um saldo negativo acumulado ainda superior a R$ 38 mi-lhões na ár

ea de concessão da AES Eletropaulo.

Ter as Secretarias de Estado do Estado de São Paulo como caso piloto permite a identifica-ção de potenciais de aplicação do sistema em outros em órgãos da administração públi-ca, o que pode ter um efeito multiplicador na aplicação a este tipo de consumidor.

Observa-se que as potencialidades para a aplicação desta ferramenta no Brasil não estão restritas apenas ao setor público. Instituições privadas que possuem grande número de uni-dades consumidoras, como bancos, cadeias de lojas e redes de supermercados, por

exemplo, também podem fazer uso do sistema, que pode, dadas suas características, ser expandido para o uso, além do cliente público, de clientes corporativos com diversas uni-dades consumidoras.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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MARCO ANTONIO SAIDEL coordena o Grupo de Energia do Departamento de Engenharia da Energia e Automação Elétricas da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.

SYLVIO ALMEIDA JR. trabalha na AES Eletropaulo e foi gerente do projeto em foco.

ANDRÉ LUIS VEIGA GIMENES é diretor da Exer Desenvolvimento Sustentável e foi coordena-dor técnico do projeto em foco.

LUIS FERNANDO KURAHASSI trabalha no Grupo de Energia do Departamento de Engenharia da Energia e Automação Elétricas da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.

PASCOAL HENRIQUE DA COSTA RIGOLIN é engenheiro eletricista, mestre em Interunidades em Energia e engenheiro autônomo do Grupo de Energia do Departamento de Energia e Automação Elétrica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.

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