Consumo de energia deve crescer 4,8% até 2020

mar, 2011

Edição 61 – Fevereiro/2011
Por Luciana Mendonça

A demanda de energia elétrica brasileira deverá crescer a uma taxa média de 4,8% ao ano, saindo de um patamar de consumo total de 456,5 mil GWh no ano de 2010 para 730,1 mil GWh até 2020. As estimativas constam da nota técnica “Projeção da Demanda de Energia Elétrica para os Próximos Dez Anos”, produzida pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Considerando o período em questão, o acréscimo do consumo total de eletricidade será de 274 mil GWh, volume superior ao atual consumo do México e próximo ao atual consumo de eletricidade da Espanha. O estudo trabalha com a hipótese de a economia brasileira expandir-se ao ritmo de 5% ao ano na década seguinte.

As projeções também indicam que importante parcela da demanda total de eletricidade do País será atendida por autoprodução, que crescerá a uma taxa média de 6,6% ao ano e deverá atingir 71 mil GWh em 2020 – o equivalente a 10% do consumo total de eletricidade neste ano. O acréscimo da autoprodução, nos dez anos, será de aproximadamente 34 mil GWh. Já o consumo industrial total aumentará à taxa de 4,8% ao ano, chegando a 354,7 mil GWh em 2020.

Em relação ao consumidor residencial, o consumo médio passará de 154 kWh/mês, em 2010, para 191 kWh/mês em 2020. O máximo histórico de 180 kWh/mês, observado antes do racionamento de 2001, será ultrapassado por volta de 2017.

Brasil – Consumo total de eletricidade por classe (mil GWh)*

Classe

2010

2020

% ao ano

Residencial

107,2

166,9

4,5

Industrial

221,2

354,7

4,8

Comercial

69,1

123,8

6,0

Outros

59,0

84,7

3,7

Total

456,5

730,1

4,8

* Inclui autoprodução

Nota: estimativas preliminares do PIB e da parcela do consumo relativa à autoprodução para o ano de 2010.

A previsão de demanda para os próximos anos também incorpora ganhos de eficiência elétrica que resultam em uma redução do consumo de eletricidade, em 2020, de 33,9 mil GWh. Esse montante de energia conservada equivale à geração de 4,5 mil MWmédios (aproximadamente a energia média a ser gerada pela usina hidrelétrica de Belo Monte).

Para efeitos de comparação, o ganho obtido com conservação de energia elétrica no período (33,9 mil GWh) é superior ao atual consumo de eletricidade do Peru e próximo ao consumo da Dinamarca. As estimativas de eficiência para o ano de 2020 estão detalhadas, por classe de consumo, na tabela seguinte.

Brasil – Ganhos de eficiência em 2020

Classe

Energia economizada (mil GWh)

% da demanda final de eletricidade por classe

Residencial

6,7

3,9

Industrial

16,7

4,5

Comercial

6,7

5,1

Outros

3,8

4,3

Total

33,9

4,4

 

Consumo de eletricidade cresce em todos os segmentos

O consumo nacional de energia na rede elétrica das concessionárias, em janeiro de 2011, totalizou 35.812 GWh, um acréscimo de 6,5% em relação ao mesmo período em 2010. No acumulado de 12 meses finalizados em janeiro, o crescimento foi de 7,6%.

Os dados consolidados indicam taxas de crescimento expressivas em todos os segmentos. Conforme o gráfico a seguir, a dinâmica do consumo industrial sugere estabilização e acomodação das taxas de crescimento, uma vez absorvidos os efeitos da crise e da recuperação subsequente sobre as estatísticas. Já os consumos residencial e comercial sustentam a tendência de aumento observada a alguns meses, em torno de 6%, patamar que pode ser considerado elevado se mantido por longo período, como vem ocorrendo.

Brasil – Consumo por classe – taxas de crescimento acumuladas em 12 meses (%)

Em janeiro de 2011, o consumo industrial superou 14,6 mil GWh – aumento de 6,6% sobre igual período de 2010. Isso evidencia a consolidação da recuperação da produção industrial nacional. Com efeito, dados do IBGE indicam que a produção física da indústria brasileira expandiu 10,5%, nos diferentes segmentos.

A maior taxa de crescimento em janeiro foi registrada na região Sudeste (+9,6%), com destaque para o Rio de Janeiro (+26%). Em 12 meses, o crescimento regional do consumo industrial sustentou a expressiva taxa de 12,7%. Apenas no Nordeste, o consumo industrial de energia elétrica caiu em janeiro. Isso decorreu da parada temporária de importantes unidades do setor químico e do desligamento de uma planta de alumínio na Bahia, onde o consumo de energia na rede elétrica da indústria como um todo recuou 11,3%.

O consumo residencial de eletricidade totalizou 9.834 GWh em janeiro deste ano, ficando 6,5% acima do valor registrado no mesmo mês de 2010. No intervalo de 12 meses, que anula eventuais efeitos sazonais, as residências brasileiras, tomadas em conjunto, consumiram mais 6,3%.

A expansão sustentada do consumo de energia pelas famílias é consistente com as estatísticas divulgadas pelo IBGE sobre a venda de “móveis e eletrodomésticos” (+18,3% em 2010) e com os dados de estudo do IDC Brasil (International Data Corporation), que apontam crescimento de 23% na venda de computadores pessoais no ano passado (em relação a 2009).

No final do período de um ano, foram realizadas 2,1 milhões novas ligações, uma média mensal de 172 mil novos consumidores. O consumo médio mensal de cada consumidor é calculado agora em 157 kWh, 2,6% maior do que há 12 meses.

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