Comunidade EX

abr, 2010

Por Dácio de Miranda Jordão

O espaço confinado e a classificação de áreas – Parte 2

Os equipamentos elétricos e eletrônicos nos espaços confinados

Os equipamentos elétricos e eletrônicos para utilização nesses ambientes teriam de ser obrigatoriamente adequados para zona 1, cujas opções seriam:

1. Ex d (à prova de explosão);

2. Ex ib (segurança intrínseca categoria ib);

3. Ex e (segurança aumentada);

4. Ex p (pressurizado).

Em suma, considerando o que foi exposto anteriormente, sugere-se que seja adotado um padrão por todos os responsáveis por trabalho em espaço confinado, englobando os seguintes itens:

1. Considerar a área interna ao ambiente confinado como zona 1, grupos IIA e IIB, classe de temperatura T3;

2. Utilizar somente equipamentos elétricos e eletrônicos adequados a essa área classificada com tipo de proteção conforme anteriormente mencionado, ou seja, com certificado de conformidade.

 

Observações:

a) Deve ser tomado cuidado especial quando utilizadas luminárias portáteis, pelo fato de serem mais sujeitas a dano, mau uso e queda. Por isso, sugerimos que sejam adotadas luminárias portáteis de segurança aumentada, com invólucro não metálico, as quais possuem alta eficiência luminosa, suportam impactos e possuem elevada vida útil.

b) No caso de utilização de ventiladores para exaustão (ventilação) desses locais, se os ventiladores estiverem externamente à área classificada, sugerimos que eles sejam totalmente fechados, com ventilação externa, grau de proteção mínimo IP 55 e que sejam capazes de promover no mínimo 30 trocas de ar por hora no ambiente ventilado. E, se forem operar internamente ao espaço confinado, devem ter proteção Ex (“d”, “e” ou “p”);

c) Se forem utilizados transceptores, estes devem ser do tipo “segurança intrínseca”, categoria ib, para grupos IIA e IIB.

 

Conclusão

Embora a ABNT NBR 14787 preveja que, antes da entrada de pessoas no espaço confinado, seja feita uma avaliação da atmosfera, utilizando dispositivos de detecção de gases e, mesmo que o ambiente seja liberado, ainda assim julgamos conveniente que sejam mantidas todas as recomendações como se o ambiente fosse realmente de área classificada.

A experiência tem demonstrado que, em muitas situações, mesmo após uma avaliação e consequente liberação para trabalho, ocorreram acidentes catastróficos. A recomendação expressa sobre as luminárias portáteis prende-se principalmente ao fato de que pode haver uma avaliação da atmosfera em alguns pontos e, mesmo ocorrendo a ventilação forçada, é possível também a existência de bolsões de espaços internos que não são devidamente ventilados, bem como os equipamentos portáteis podem sofrer quedas e atingirem locais não devidamente avaliados quanto à possibilidade de presença de mistura inflamável.

Por todos esses fatos, este trabalho sugere medidas de segurança, sob o ponto de vista de atmosfera explosiva, que devem ser adotadas além daquelas previstas pelas ABNT NBR 14787 e NR 33.

Além de todos esses cuidados, é fortemente recomendado que todos os equipamentos elétricos e eletrônicos portáteis sejam inspecionados antes do uso, conforme item 4.3.2 (b) da ABNT NBR IEC 60079-17 – Equipamentos elétricos para atmosferas explosivas. Parte 17: Inspeção e manutenção de instalações elétricas em áreas classificadas (exceto minas), que estabelece a necessidade de que: “…os equipamentos elétricos móveis devem ser submetidos a inspeção apurada pelo menos a cada 12 meses. Invólucros que sejam frequentemente abertos (como compartimento de baterias) devem ser submetidos a inspeção detalhada. Adicionalmente, os equipamentos devem ser inspecionados visualmente pelo usuário, antes do uso, para assegurar que os equipamentos não estão visivelmente danificados.” (originalmente sem os grifos).

Sobre este requisito, vale comentar um acidente que aconteceu com uma luminária portátil à prova de explosão cujo cabo de alimentação apresentava em alguns pontos danos ao isolamento, e isso era visível. O operador, ao manusear a luminária para verificar um possível vazamento de produto inflamável, fez a parte do isolamento danificada provocar um centelhamento por contato em parte metálica, o que provocou um “flash” e queimaduras nos antebraços e parte do rosto do operador. A inspeção visual pode ser feita em um tempo muito pequeno (máximo cinco minutos) se o profissional é qualificado. Isso provavelmente evitaria este acidente que poderia ter consequências bem mais drásticas.

 


 

Referência bibliográfica:

– ABNT NBR 14787 Espaço confinado – Prevenção de acidentes, procedimentos e medidas de proteção;

– ABNT NBR IEC 60079 – Parte 10 – Classificação de áreas;

– NR 10 – Instalações e serviços em eletricidade;

– Manual de Instalações Elétricas em Indústrias Químicas, Petroquímicas e de Petróleo – 3ª. Edição, Qualitymark. Jordão, Dácio;

– NR 33 – Segurança e saúde nos trabalhos em espaços confinados;

– ABNT NBR IEC 60079-14 – Instalações Elétricas em Atmosferas Potencialmente Explosivas.

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