Cobertura FIEE

ago, 2009

Edição 43, Agosto de 2009

Por Lívia Cunha

Público qualificado gera negócios e supera crise

Visitantes responsáveis por tomadas de decisão em suas empresas e por estimular a geração de novos negócios são o principal destaque da FIEE 2009

Em um momento econômico hesitante e com uma significativa parte do pavilhão ocupada por empresas chinesas e coreanas, a 25ª FIEE compensou os expositores nacionais com a reunião de um público visitante altamente qualificado. As duas feiras, 25ª Feira Internacional da Indústria Elétrica, Eletrônica, Energia e Automação (FIEE) e a 5ª Feira Internacional de Componentes, Subconjuntos, Equipamentos para a Produção de Componentes, Tecnologia Laser e Optoeletrônica (ElectronicAmericas) receberam no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo (SP), cerca de 53 mil visitantes interessados nas novidades das mais de 1.100 empresas.

A elevada qualificação profissional do público foi ratificada por uma pesquisa realizada durante a feira pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), apoiadora do evento. Segundo a entidade, das mais de 1.100 empresas, 70% delas apontaram o público visitante como altamente qualificado, medido pela presença de altos cargos de empresas, responsáveis por tomadas de decisões, como presidentes, diretores, superintendentes e gerentes. A coordenadora de marketing da Finder, Camila Guerra, concorda: “a feira foi bem movimentada, superou nossa expectativa de movimento e qualidade das visitas”.

Um dos fatores que pode ter contribuído para atrair esses profissionais foi o projeto Club Vip. Realizado pela primeira vez na FIEE 2009 em caráter experimental, o projeto é uma ação de marketing com importantes players do mercado eletroeletrônico. Esse público foi indicado por empresas âncoras, participantes das feiras, para integrarem o Club Vip.

 

Desenvolvido pela organizadora da FIEE, o projeto tinha como objetivo “atrair público altamente qualificado, responsável por gerar novos negócios, e estreitar o relacionamento com as empresas expositoras”, explicou o Show Manager da Feira, Jenner Nicodemos.

As feiras reuniram mais de 1 mil empresas, sendo 55% brasileiras e 45% estrangeiras.

Segundo ele, foram levantados os principais players do setor juntamente com alguns expositores da feira, no intuito de identificar no mercado quais seriam os potenciais “prospects” de seus clientes. O resultado foi a participação de “centenas de empresas, incluindo visitantes de alto poder de decisão de compra, como presidentes, diretores, superintendentes e gerentes de compras”, completou Nicodemos.

Essas ações constituem iniciativas para geração de novos negócios. A previsão da Abinee é que sejam movimentados cerca de US$ 2 bilhões (aproximadamente R$ 4 bilhões) em negócios iniciados nos cinco dias da semana eletroeletrônica. Essas transações devem ser concluídas nos seis meses seguintes nos setores de automação predial, comercial e industrial, instrumentação, equipamentos das áreas de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica, materiais elétricos de instalação, componentes eletroeletrônicos e equipamentos industriais.

A invasão chinesa

Pelos corredores da FIEE e da ElectronicAmericas, muito se ouviu falar da grande quantidade de estandes chineses e coreanos. Das 1.100 empresas expositoras, de acordo com o gerente geral da Reed Exhibitions Alcantara Machado, Hercules Ricco, a proporção é de 55% de brasileiras frente a 45% estrangeiras. Depois do Brasil, o país que mais trouxe empresas para exporem seus produtos e serviços foi a China, com mais de 200 empresas, concentrado no Pavilhão Chinês.

O grande número de participação de empresas chinesas é explicado pelo apoio governamental que as companhias receberam. O governo chinês pagou os estandes de todas as empresas, conforme contaram alguns expositores do país, como a People Electric, fabricante de disjuntores, contatores, medidores, relés, botões e inversores. Ricco, da Reed Exhibitions, esclarece que, neste caso, o apoio é somente do governo chinês. “Não há parceria incentivada pelo Brasil. O incentivo é exclusivo dos países de origem das empresas”.

A preocupação dos expositores brasileiros quanto ao grande crescimento de empresas chinesas no setor eletroeletrônico se dá principalmente pelos preços mais baixos dos produtos oferecidos, representando uma concorrência vista por muitos como desleal. “É algo que está no mercado, não adianta tapar o sol com a peneira. Para quem trabalha com produto de commodities é complicado mesmo”, expressa o coordenador técnico-comercial da Treetech Sistemas Digitais, Marcio da Costa. Ele comenta que a sua empresa não se sente diretamente ameaçada: “nosso produto não é simples, existem aplicações e serviços. Somos uma empresa especializada no setor elétrico, que não vende apenas um produto.”

Um dos fatores que influencia diretamente o preço baixo do produto é a pirataria que ainda é praticada por empresas, em especial as chinesas, em produtos de commodities, como disjuntores, contatores e relés. Para se ter ideia, na tentativa de coibir esta ação, que vem contribuindo para perda de mercado das empresas brasileiras, a Abinee, em parceria com a Associação Brasileira dos Revendedores e Distribuidores de Materiais Elétricos (Abreme) e a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), lançou a campanha “Produto Seguro”. A campanha visa a combater a entrada de produtos falsificados no mercado brasileiro.

Crescimento

Os desafios para o setor eletroeletrônico brasileiro são grandes. Começando a contornar a crise econômica, as empresas do segmento tentam não perder mais mercado para empresas estrangeiras e intentam aumentar a sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) quase três pontos percentuais até 2020 – passando de 4,3% em 2008 para 7% em 2020. Este é o principal objeto do plano desenvolvido pela LCA Consultoria a pedido da Abinee. O estudo “A indústria elétrica e eletrônica em 2020: uma estratégia de desenvolvimento” foi apresentado na abertura da FIEE no Fórum Abinee Tec 2009, no dia 1º de junho.

O ponto de partida para um plano nacional de desenvolvimento seu deu, como explicou Humberto Barbato, presidente da Abinee, pela perda de competitividade da indústria brasileira em relação a outros países, especialmente do leste asiático. “Para este cenário mudar precisamos de todos os agentes da sociedade. O setor eletroeletrônico é a base para uma verdadeira revolução tecnológica”, expressou Barbato. O estudo completo pode ser visto no site da entidade: www.abinee.org.br.

O SETOR ELÉTRICO leva novidades para a feira

Com um estande de 50 m², a revista O SETOR ELÉTRICO esteve presente nos cinco dias da 25ª FIEE e da 5ª ElectronicAmericas. Aproveitando as novidades lançadas neste ano de 2009 e o bom momento vivido pela publicação, o diretor da editora, Adolfo Vaiser, comenta que o investimento no estande teve o intuito de torná-lo um ponto de encontro para os especialistas e colaboradores que apóiam o trabalho da revista, aproximando esses profissionais do público-leitor da revista e, ainda, divulgar os novos produtos.

O novo site da revista é uma das novidades, que foi apresentada durante a feira. Com um display disposto no ponto mais visível do estande, os visitantes da feira puderam apreciar o site reformulado e ainda conhecer as novas seções
da revista que interagem com o leitor por meio da página na internet. “Fale com o especialista” e “O que há de errado” são duas seções que prestam serviço ao leitor. Por meio da primeira seção, o leitor pode enviar, pela internet, perguntas técnicas para os especialistas colaboradores da revista responderem; já na segunda, ele poderá testar seus conhecimentos avaliando qual ou quais são os erros da instalação evidenciada.

Outra novidade são os blogs técnicos. Especialistas, como Hilton Moreno, Jobson Modena, José Starosta, José Marangon e o professor José Roberto Cardoso, mantêm atualizados seus respectivos blogs, que tratam de temas como qualidade de energia, aterramento, tarifação, instalações em baixa tensão, entre outros.

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