Balanço geral de 2015

jan, 2016

Edição 119 – Dezembro de 2015
Por Luiz Fernando Arruda

Mais um ano sem termos o que comemorar, a não ser por conseguir chegar até aqui sem grandes atropelos: salvos pela recessão, assistimos a demanda e o consumo caírem e nos tirar do grande risco de um iminente apagão!

Assim, nem dá para comemorar.

Nos eventos e publicações o “smart grid” continua sendo a grande vedete e, como aspecto positivo, vemos que há muitos pontos de consenso e se espera que isso chegue aos órgãos que têm o poder de implementar políticas públicas que tornem o setor elétrico menos jurássico.

De onde podemos identificar estes principais pontos?

Dos resumos que fazemos em cada evento tentando sintetizar pontos de vista, apresentações de especialistas de vários países e sugestões que, não raramente, são encaminhados para órgãos públicos e seus representantes.

Assim, podemos listar três pontos básicos:

 

1 – O país de fato precisa implementar mais tecnologia no setor elétrico, principalmente na área de distribuição, para torná-la mais eficiente.

Isso inclui diminuir perdas técnicas e não técnicas, tornar a curva de carga a mais plana possível com a oferta de tarifas que, de fato, levem os consumidores do setor de baixa tensão a alterar hábitos de consumo de energia elétrica. Também inclui a melhoria drástica da qualidade da energia fornecida e formas de baixar a tarifa sem decretos e promessas políticas.

 

2 – A implementação destas novas tecnologias passa pela implementação gradativa de soluções já devidamente consolidadas no mundo.

Isso implica dizer que, apenas “forçando” a instalação de medidores inteligentes de forma difusa, não seremos levados a absolutamente nada de valor a não ser o aumento de custos, os quais serão devidamente repassados para a tarifa (que não disparou mais no ranking mundial pela subida absurda do valor do dólar em relação ao real). A tarifa, com todos os impostos (é assim que quem paga a conta percebe o custo real), já está bem próxima de R$ 1.000,00 / MWh! Mesmo com o dólar nas alturas isto é próximo de US$ 250,00 / MWh!

Ou seja, precisamos viabilizar projetos em nichos e em regiões de forma a resultar menores custos e mais eficiência operacionais.

3 – Tarifa opcional não dá qualquer resultado positivo.

Dessa forma, temos de comemorar a falta de sincronismo da Aneel e Inmetro que resultou na impossibilidade de implementar a tarifa branca que não traria benefícios ao sistema elétrico e, com certeza, implicaria maiores custos operacionais e menor faturamento das distribuidoras, ou seja, mais pressão para aumento da tarifa.

Tarifa tem de ser mandatória e, melhor ainda, se for binômia (com medidores inteligentes e comunicação entre eles e o sistema de faturamento, isto não custa um centavo a mais), considerando o custo da energia e da disponibilização de capacidade.

Sabemos que a tarefa do legislador e do regulador é complexa e desafiadora e iniciar um novo ciclo é uma ação repleta de riscos. Porém, precisamos, no Brasil de hoje, de dedicação, capacidade e coragem para mudar tudo o que sabemos que precisa ser melhorado.

E não há mais tempo a esperar. Mãos à obra para que 2016 termine com alguma coisa para ser comemorada.

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