Avaliações e reconhecimentos em sustentabilidade – Parte III

fev, 2014

Edição 96 – Janeiro de 2014
Por Michel Epelbaum

Seguimos falando sobre avaliações e reconhecimentos em sustentabilidade, continuando a coluna sobre o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bolsa de Valores de São Paulo para 2014, e as empresas do setor elétrico.

Onze empresas do setor de energia e uma do setor elétrico fazem parte do ISE 2014. No site do ISE (fonte: https://www.isebvmf.com.br/) estão disponíveis os relatórios daquelas que autorizaram a publicação das informações: oito empresas de energia (totalizando 23 unidades, sendo cinco de geração, seis de geração/ transmissão, uma de geração/distribuição, dez de distribuição, uma de geração/ transmissão/ distribuição) e uma do setor de máquinas/sistemas eletroeletrônicos.

Avaliamos 18 perguntas/subperguntas do questionário social e 16 do ambiental, de todas as empresas/unidades, totalizando 16 questionários avaliados (somente no caso da Eletrobras, fizemos uma amostra de quatro unidades/empresas de maior porte dentre as 12 existentes). Seguem as conclusões: 

SOCIAL

A maioria delas tem compromissos formais assumidos e divulgados nas relações de trabalho. No entanto, o monitoramento interno do cumprimento destes compromissos mostrou-se insuficiente em mais de metade delas. Em 100% das unidades, não há monitoramento independente (externo);

A maioria avalia a satisfação de seus funcionários sobre o clima organizacional, carga de trabalho e remuneração compatível com a carga de trabalho e benefícios;

A maioria delas busca construir um relacionamento com a comunidade visando o desenvolvimento local, por meio de ações como: participar de fóruns locais e na formulação de políticas públicas, metodologia para relacionamento, parceria, apoio e engajamento da comunidade;

A maioria demonstrou mais necessidade de evolução nos processos e procedimentos para aplicação de critérios sociais para os seus fornecedores críticos, seja por não ter um sistema de gestão ou por falta de exigência/monitoramento do cumprimento dos requisitos.

MEIO AMBIENTE (MA) E SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO (SST)

Pouco mais de metade implementou prática de avaliação periódica de seus aspectos e impactos ambientais em todos os processos e unidades, número relativamente baixo;

75% delas implementaram plenamente as práticas de gestão de SST. No entanto, duas empresas geradoras de energia implementaram menos de 25% das práticas de SST;

56% delas tiveram 100% de suas atividades potencialmente geradoras de impactos ambientais significativos orientados por procedimentos operacionais específicos; as demais apresentaram percentuais parciais, na maioria, acima de 50%;

Quase metade das empresas indicou somente exigências de conformidade legal ambiental para fornecedores críticos;

Evidenciado um grau relativamente baixo de adesão às certificações de sistemas de gestão de MA (por exemplo a ISO 14001) e SST (como a OHSAS 18001): 43,75% das empresas têm mais de 70% de suas unidades certificadas em MA e 31,25% têm mais de 70% de suas unidades certificadas em SST. Já 56,25% e 62,50% das empresas têm até 40% de suas unidades certificadas respectivamente em MA e SST;

Cerca de 30% delas divulgam informações sobre todos os assuntos de MA; porém quase 70% das empresas só divulgam certos assuntos mediante demanda das partes interessadas, por exemplo, sobre processos (administrativos ou judiciais), sanções e acordos de SST;

Cerca de 60% das empresas está gerenciando adequadamente seus passivos ambientais. No entanto, quatro delas não provisionaram recursos para os seus passivos, ou não tem sistemática de gerenciamento;

Cerc

a de 60% respondeu que tem monitoramento sistemático do licenciamento e pode garantir que 100% das suas instalações estão em conformidade (mais 30% pode garantir mais de 70% de conformidade);

Nos últimos três anos: quase 70% delas recebeu alguma sanção administrativa de MA; mais de 56% delas recebeu processo judicial cível de MA (mas todas elas sem condenação); somente uma empresa recebeu processo judicial criminal de MA (sem condenação). Tais números são altos, podendo ser um indício de fragilidades na gestão ambiental.

Já avançamos bastante em relação ao passado, mas ainda há muito que fazer… Que venha 2014!

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