Até quando continuaremos a nos matar?

maio, 2010

Autoria: José Starosta

Crescemos com elas, nos habituamos a conviver com elas e muitas vezes não percebemos que estão bem próximas, às vezes na nossa frente, às vezes ocultas. Talvez sejam mais frequentes até que as noticias sobre políticos em atos de corrupção (é, talvez). Sim, estamos falando de Sua Excelência, a “GAMBIARRA”.

O termo, originalmente aplicado para identificar os circuitos dependurados nas estruturas que servem para alimentação das lâmpadas nos circos, passou a ser utilizado de forma geral na nossa língua portuguesa como alguma coisa improvisada. O Aurélio o define como: “Rampa de luzes e/ou refletores, de cores variadas, situada ao lado de outras, ou na parte anterior do urdimento, acima da ribalta, ou no teto da plateia, a alguns metros de distância do palco”

O Google tem aproximadamente 140 mil citações bem humoradas e outras até surpreendentes, mas o que pretendemos abordar aqui é o lado trágico deste assunto.  As fotos que ilustram este texto são de duas instalações localizadas em distintas praias do litoral brasileiro e não são diferentes de outras centenas de situações semelhantes.

Na situação 1, observa-se que em princípio houve a “intenção” de se fazer a coisa certa. Sem entrarmos em pormenores quanto à adoção de especificação de materiais e acabamentos, o circuito instalado em eletroduto fixado ao poste de eucalipto ao menos não está com os condutores expostos, não existindo também emendas expostas.

Situação 1

 

O que se pode notar é que, no “segundo movimento” da mesma instalação, a situação degringolou. Verdadeiros artistas cortaram o eletroduto pouco antes da caixa que abriga o interruptor para acesso aos condutores do circuito, dando início a um montão de bobagens, culminado na passagem dos visíveis (e risíveis) amontoados de “eletrodutos” flexíveis espalhados pela vizinhança. Além disso, a passagem da fiação de som (a capa verde da foto cobre na verdade uma caixa de som) está no mesmo invólucro que os circuitos de corrente alternada. Enfim, um festival de insanidades executado por alguém que, no mínimo, deve ter passado boas horas no bar das proximidades antes de conceber e executar tal “serviço”.

A situação 2, de execução mais simples que a primeira, foi realizada em uma instalação provisória para um evento (como se existisse o acidente provisório). O que se nota, além da fiação exposta – em alguns pontos montada com “fio paralelo” –, são emendas também visíveis muito próximas às estruturas metálicas das barracas em que a instalação foi executada e pretende iluminar. Com a ocorrência de uma falha nessa isolação, a barraca ficará energizada, a menos que, na origem do circuito, existisse um DR. Eu duvido.

 

Situação 2

 

A resposta natural para estas questões seria o envolvimento das autoridades ligadas aos poderes públicos municipais. Pessoalmente, perdi as esperanças sob este aspecto. São raras as prefeituras que têm em seus quadros profissionais formados na área e que, de fato, tenham atuação de alguma forma na fiscalização das instalações elétricas locais, como as ilustradas.

Entendo que cabem àqueles que se sentem parte do que chamamos no Brasil de “área de instalações elétricas” este trabalho de informação e conscientização da sociedade. Enquanto as estatísticas continuarem a crescer, nossa incompetência crescerá simultaneamente. Temos elementos de informação para divulgar estes absurdos e, acima de tudo, treinar todos os envolvidos. As técnicas e os materiais de boa procedência e qualidade estão disponíveis para serem aplicados.

Só a mobilização da sociedade esclarecida reduzirá estas ocorrências. Os órgãos de fiscalização continuarão se aproximando dos problemas quando a “Inês é morta” e morta mesmo.

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