As telhas metálicas utilizadas como elemento captor do SPDA

ago, 2016

Por José Barbosa de Oliveira*

O Sistema de Proteção conta Descargas Atmosféricas (SPDA) inicia-se pela interceptação da descarga atmosférica. O subsistema de captação desempenha um papel fundamental na dinâmica da eficiência do sistema. Em uma primeira análise, sempre pensamos na adição de elementos captores, como mastros, captores tipo Franklin, malhas de condutoras através de cabos ou barras. Porém, os sistemas com um maior desempenho começam com a análise dos elementos naturais e das estruturas metálicas existentes na edificação (de suporte, decoração, segurança, como a estrutura metálica das coberturas, telhados, etc.).

A ABNT NBR 5419:2015 mais que permite a utilização de estruturas metálicas existentes como parte integrante do SPDA. Ela sugere que seja dada preferência por tal solução. Além disso, atribui um valor de maior desempenho quando se necessita reduzir os riscos de perdas causadas pelas descargas atmosféricas.

Então, podemos utilizar toda e qualquer estrutura metálica como parte integrante do nosso SPDA? A resposta é não. A ABNT NBR 5419:2015 impõe algumas exigências e características para a utilização destas estruturas. De uma forma geral, independentemente do subsistema, a estrutura tem que ter um caráter permanente, definitivo. Não se pode utilizar aquela estrutura que sofrerá alterações, manutenções ou substituições. Estruturas, como rufo, guarda-corpo e escadas, podem ser trocadas ou substituídas por outros compostos ou mesmo por elementos não metálicos, não atendendo mais à finalidade.

Outra exigência é a continuidade elétrica não poder ser revestida por elementos isolantes e atender a uma espessura mínima. As estruturas metálicas existentes devem ter continuidade elétrica ao longo de toda sua extensão, através de conexões entre os diversos elementos, realizadas por solda, caldeamento, frisamento, costurado, aparafusado ou conectado por parafusos e porcas. O revestimento isolante não permitirá a utilização da estrutura como componente da captação, mas a ABNT NBR 5419:2015 permite uma camada de 1 mm de asfalto ou 0,5 mm de PVC e pintura para proteger de corrosão ou estética.

A espessura mínima para que se possa utilizar a estrutura metálica existente como componente de captação é especialmente discutida quando da utilização de telhas metálicas e coberturas de tanques de combustível. No caso de telhados metálicos, usualmente, em galpões industriais, suportados ou não por estruturas metálicas, a sua utilização como elemento captor propicia uma enorme economia na implementação da solução e um maior desempenho, ponto de união de interesses entre projetista e investidor / proprietário. Porém, temos que vencer a exigência da espessura mínima.

A ABNT NBR 5419:2015 apresenta a tabela a seguir com os valores das espessuras mínimas para utilização de estruturas metálicas como elementos captores de um SPDA. Ela pode ser utilizada para todas as classes de proteção do SPDA, ou melhor, os valores de espessura por material são os mesmos, não dependendo das classes de proteção. Nesta tabela, encontramos uma coluna com os materiais que podem ser utilizados, uma coluna com as espessuras “t” e outra com as espessuras “t’”.

Quando se deseja prevenir contra perfurações e pontos quentes do lado interno da estrutura, a espessura “t” deve ser observada. Logo, caso haja área classificada abaixo da cobertura metálica, a opção de espessura deve ser maior ou igual a “t”. Conforme a tabela, no caso de aço, temos 4 mm. Fica claro que a mesma espessura é necessária se o objetivo for evitar a perfuração da estrutura.

Já quando não se trata de ambientes em área classificada e quando a perfuração da estrutura não for um problema, as espessuras “t’” podem ser adotas. É o caso de uma grande parte de galpões industriais. Assim, em um galpão cuja cobertura é composta por telhas metálicas com espessura maior ou igual a “t’”, não é um ambiente de área classificada, e a perfuração é aceitável, podendo ser dispensados os captores convencionais. Porém, um grande número de telhas fabricadas atualmente não possui esta espessura. Mas, calma. Não desanime com isto. Há uma alternativa que atenderá às exigências, permitindo a dispensa de captores convencionais, mesmo no caso de telhas com espessuras inferiores, quando abaixo das telhas metálicas, sustentando-as, houver uma estrutura metálica. Neste caso, as telhas metálicas, mesmo com espessuras inferiores, podem ficar fora do volume de proteção (se não for importante prevenir contra perfuração e não se tratar de área classificada). Não considerando as telhas, a estrutura metálica que as sustentam serão utilizadas como elemento natural de captação..


*José Barbosa de Oliveira é engenheiro eletricista e membro da comissão de estudos CE 03:64.10, do CB-3 da ABNT.

Comentários

Deixa uma mensagem

%d blogueiros gostam disto: