As casas passivas (passive house)

jan, 2013

Edição 82 – Novembro de 2012

Por José Starosta

A maior parte dos projetos de eficiência energética que são desenvolvidos (não só no Brasil) possui algumas características comuns. Os locais em geral escolhidos para estes projetos são as indústrias (nas instalações de utilidades ou de processos) ou prédios comerciais (e derivados como shoppings, hospitais ou data centers).

As justificativas destas particularidades estão nos bons potenciais destes projetos que, sobretudo, possuem tecnologias disponíveis, conhecidas e testadas possibilidades técnicas, além de aceitável tempo de retorno dos investimentos, conforme os critérios clássicos de avaliação. Mesmo as aplicações de técnicas de eficiência energética em novos prédios comerciais somente são levadas a sério quando a edificação que está sendo construída é especificada pela empresa que irá ocupar o imóvel. Caso contrário, o que se assiste são soluções que beiram o “escândalo técnico”, como a instalação de lâmpadas mistas em galpões industriais e soluções inadequadas de climatização de ambientes.

As aplicações residenciais ou domésticas são, em minoria, objeto de estudos de eficiência energética, talvez por conta do mesmo fenômeno exposto, de que “quem constrói não utiliza”. Não por acaso observa-se o avanço em projetos de eficiência energética nas instalações residenciais de alto padrão construídas pelos seus futuros moradores. Há ainda os projetos de habitação popular com financiamento público com sistemas de aquecimento solar, com interesse público na redução da demanda elétrica.

O tema da eficiência energética com forte viés dos aspectos relacionados ao meio ambiente e ações de sustentabilidade aplicadas às habitações e edificações com uso residencial vem tomando importância em uma particular aplicação que se está chamando de “casa passiva”.

Uma cada passiva pode chegar a reduzir em até 90% o consumo de energia que outra edificação semelhante, mas concebida de forma convencional (isso mesmo, o consumo de energia de uma cada passiva pode chegar a 10% daquele de uma solução convencional). As casas passivas existem há mais de dez anos e estes projetos têm tomado força na Europa e nos Estados Unidos, países do hemisfério norte com forte dependência de aquecimento.

Contribuem para esta expressiva marca os aspectos de tecnologia em climatização dos ambientes (incluindo aquecimento nos países frios), elementos de construção civil especialmente desenvolvidos, como as janelas com vidros especiais, aplicados nos aspectos térmicos e de iluminação natural, os isolantes térmicos, os sistemas e dispositivos que garantem a estanqueidade do ambiente e que impedem a troca de ar não controlada do ar interno com o ar externo, aquecimento de água por coletores solares e bombas de calor, fontes geotérmicas, sistemas de sombreamento e uso de vegetação.

Além dos conhecidos sistemas de iluminação artificial de baixo consumo, são aplicados sistemas combinados com coletores fotovoltaicos específicos e sistemas de automação e controle.

Ainda sob o ponto de vista de microgeração, são aplicados os citados coletores fotovoltaicos e eólicos, interligados à rede da concessionária. Caldeiras que aplicam madeira de poda como combustível e biomassa em geral também podem ser aplicadas.

Alguns projetos consideram ainda a possibilidade de carregamento de carros elétricos no período da noite. A Figura 1, extraída de site especifico e indicado na legenda, apresenta um esquema geral de casa passiva com os cuidados para tratamento da temperatura do ar ambiente e aquecimento de água por sistema solar.

A terminologia “casa passiva” deriva de sistemas de aquecimento e refrigeração de ambientes naturais (ou de forma passiva). Para tanto, os aspectos de posicionamento de paredes mais longas e de fachadas quanto à orientação da posição do sol devem ser considerados. Dimensões de janelas também são muito importantes tendo em vista o aproveitamento de iluminação natural.

No caso de aquecimento em regiões frias, as paredes da construção devem ser capazes de absorver o calor do Sol, dissipando no período da noite. Esta técnica é conhecida como ganho direto de calor. São disponíveis outras técnicas de construção como a “parede de trombe, que combina diversas tecnologias de construção aplicando vidros especiais e técnicas de escolhas de cores dos revestimentos, caracterizando-se como “ganho indireto de calor”.

No caso de resfriamento passivo, a posição da casa em relação ao sol também tem importante função, além de aspectos de proteção de janelas e construção de fachadas com elementos de sombra. Técnicas de movimentação do ar quente e entrada de ar fresco à noite também são aplicadas neste caso.

O uso da água também é considerado importante. Com relação a isso, o uso de reservatórios de água de chuva e de neve para aplicações agrícolas familiares faz parte de uma das aplicações.

Como consequência, a casa passiva possui um consumo de energia da rede muito baixo e, entre os impactos positivos, está a redução do custo operacional, relacionado ao custo da própria energia que deixa de ser comprada das concessionárias.

A Figura 2 apresenta uma oferta de casa à venda na França, em que se declara a sua faixa de consumo de energia, isto é, nos processos de venda e aluguel de imóveis, os custos com energia da edificação são considerados e interferem no valor do negócio.

As certificações, como o selo Procel e outros que consideram aspectos de construção civil, climatização, iluminação, automação e uso de energia e água, poderão ser aplicadas em nossa realidade não em futuro próximo, mas o quanto antes possível. O meio ambiente agradece.

Os aspectos clássicos de tempo de retorno devem ser questionados, uma vez que o horizonte de uso é bastante amplo (pelo menos 30 anos) e não se tem certeza de qual será o valor da energia nos próximos anos, o que se sabe é que se trata de uma “commodity” com custos crescentes esperados e disponibilidade reduzida.

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