Água, economia, corrupção e o setor elétrico

jun, 2015

Edição 112 – Maio de 2015
Por Michel Epelbaum

Enquanto a crise da água se distancia dos olhos, bocas e coração da mídia e da população, apesar da prevista piora nos próximos meses de período seco, o combate à corrupção continua sendo manchete nos noticiários, junto com a parada da economia. Abordando de uma maneira integrada os temas “quentes” da sustentabilidade, procuramos esboçar as relações entre eles (ver figura) e comentamos as últimas notícias sobre os principais deles (numerados).

 

Água (1) 

O Relatório Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos 2015 lançou novos dados sobre a situação da água:

– Até 2030, o planeta enfrentará um déficit de água de 40%, a menos que seja melhorada dramaticamente a sua gestão;

– Em 2050, prevê-se um aumento da demanda hídrica mundial de 55% – também devido ao crescimento da demanda dos sistemas de geração de energia. Segundo o relatório, maximizar a eficiência do uso da água pelas geradoras de energia, nos sistemas de refrigeração, e expandir a geração de energia eólica, energia solar fotovoltaica e de energia geotérmica será um fator determinante para alcançar um futuro sustentável em termos de recursos hídricos.

Crise em estados e cidades do Brasil? A situação da Califórnia e outras regiões dos Estados Unidos demonstram a urgência de medidas drásticas: a atual seca dura quatro anos e o governador determinou neste ano a redução de 25% do consumo urbano, depois de já ter definido em 2014 a redução de 10% do consumo doméstico e da irrigação (fonte: O Estado de São Paulo, 23/04/15).

 

Economia (2) 

A expectativa para 2015 e 2016 é de baixo crescimento pelas políticas equivocadas e desarranjos macroeconômicos, agravados também pelos desdobramentos da Operação Lava Jato, crise da água e de energia, incluindo os erros na política energética e seus elevados preços.

Além disso, volumosos investimentos em infraestrutura são necessários para eliminar gargalos e reduzir o Custo Brasil. No caso da energia, isso também é necessário para aumentar a oferta e evitar racionamentos. No momento, dentre várias medidas anunciadas e planejadas, pelo governo, foi lançada campanha na mídia para conscientização dos consumidores, esperando-se uma redução do consumo de 5-10%, e estuda-se a compra de energia de geradores dos consumidores para aumentar a oferta.

 

Corrupção (3) 

Os desdobramentos das investigações continuam no Brasil e no exterior, bem como a regulamentação da legislação brasileira.

Como os estudos ilustrados na coluna passada mostram, a corrupção é maior nos setores de construção, petróleo; gás e mineração, eletroeletrônicos, transporte e estocagem; informação e comunicações (alguns associados à infraestrutura e setor elétrico); e em contratos com os governos. No entanto, 55% (dos 124 entrevistados na pesquisa da Delloite citada) responderam que houve caso de corrupção na própria empresa!

Uma boa iniciativa é a do Pró-Ética – programa mantido pela Controladoria Geral da União (CGU) e o Instituto Ethos, que reconhece empresas comprometidas com a prevenção e o combate à corrupção, integridade e transparência. Recentemente, foi lançado um novo formato a partir de mudanças trazidas pela Lei da Empresa Limpa (Lei 12.846/2013), com nova metodologia de avaliação e divulgação da lista das empresas contempladas pela marca do Pró-Ética, a partir de agora realizadas anualmente.

 

Gases de efeito estufa (4) 

No final de 2015, teremos a importante reunião de Paris sobre as mudanças climáticas, com a previsão de um novo acordo global. No final de março, venceu o prazo informal para que os 192 membros da ONU apresentassem suas metas para a redução de emissões de gases de efeito estufa, mas somente 33 o fizeram (dentre eles a União Europeia, a Rússia e os Estados Unidos). O Brasil mais uma vez demonstrou que o meio ambiente não é prioridade do governo federal.

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