A situação dos sistemas de aterramento nas instalações elétricas das edificações do Brasil – Parte 2

out, 2016

Início dos estudos

Foram inspecionados:

  • Existência de aterramentos pontuais:

Os famosos “aterramentos egoístas”, ou seja, vários eletrodos distintos, geralmente, hastes copperweld, situados em pontos diferentes do terreno interligados a várias massas metálicas de diferentes equipamentos elétricos alimentados por uma única entrada de energia, como mostrado na Figura 1.

ed-129_col-protecao_fig-1Figura1 – Configuração incorreta do sistema de aterramento local. O esquema de aterramento não está desenhado.

  • Valores de resistência ôhmica do eletrodo sendo exigidos sem o mínimo critério: não é raro ouvirmos relatos de nossos clientes contendo “ameaças” por parte dos fornecedores de equipamentos, que chegam ao absurdo de redigir documentos exigindo “um aterramento somente para eles”, e pior, com valores de resistência ôhmica do eletrodo inferiores a 5 Ω. Detalhe: tomam essa atitude sem sequer conhecerem as características do solo no local. Essas pessoas cometem tal insensatez e afirmam que não darão garantia ao equipamento caso essas “afrontas à boa técnica” não sejam cumpridas. Obviamente desconhecem a origem, o conceito e a correta utilização do valor de resistência ôhmica de um eletrodo de aterramento.

Os números impressionam

Apresentaremos, a seguir, o resultado parcial da compilação de dados do trabalho realizado nos mais diversos tipos de sistemas de aterramento por todo o Brasil nos últimos 15 anos. Utilizamos uma amostra com universo de 800 locais. Cada local possuindo de 1 a 57 edificações.

Critérios adotados:

  • Separação das edificações por ramo de atividade: Industrial, comercial e residencial;
  • Atribuição de nota (0 a 10) para os sistemas de aterramento local encontrados, em que:
    • 0 – sem sistema de aterramento no local;
    • 1 a 5 – possui sistema de aterramento na instalação, porém, o mesmo encontra-se em desacordo com as normas. As notas 1 a 5 foram atribuídas em função do tipo do eletrodo, das interligações e da conservação e manutenção do sistema;
    • 7 – o sistema de aterramento segue os parâmetros mínimos exigidos pelas normas;
    • 8 a 9 – além de seguir as normas o sistema de aterramento foi projetado atendendo requisitos e parâmetros adicionais, exemplo: utilizado como elemento componente de sistema para blindagem eletromagnética;
    • 10 – o sistema segue totalmente as normas está bem dimensionado e mantido, além de ter sido projetado e instalado para atender a todos os requisitos de proteção pessoal e funcional (instalações e equipamentos), além de possuir toda documentação atualizada no local.

ed-129_col-protecao_fig-2Figura 2 – Avaliação em edificações industriais.

ed-129_col-protecao_fig-3Figura 3 – Avaliação em edificações comerciais.

ed-129_col-protecao_fig-4Figura 4 – Avaliação em edificações residenciais.

Perspectivas de melhorias

  • Agir como multiplicadores massivos de informação difundindo-a sempre que possível;
  • Trabalhar para que a comunidade técnica absorva corretamente os conceitos e os programe de forma organizada e equânime.

Acreditamos que esta seja a melhor forma para que, em alguns anos, uma nova pesquisa possa mostrar resultados muito melhores dos aqui apresentados, significando, salvo melhor julgamento, que estaremos caminhando para uma situação que apresentará instalações elétricas mais seguras e confiáveis.

Informações adicionais

Para aqueles que ainda pensam: “nada nunca muda”, “na minha instalação não há como implementar esse(s) conceito(s)”, ou “o Brasil sempre será o pais do jeitinho”, sugerimos três excelentes fontes de leitura:

  • Lei n° 8.078, de 11 de Setembro de 1990, o CDC – Código de Defesa do Consumidor, aplicável a relações comerciais para produtos e serviços;
  • Decreto nº 2.181, de 20 de Março de 1997, que dispõe sobre a organização do Sistema Nacional Defesa do Consumidor – SNDC e estabelece as normas gerais de aplicação das sanções administrativas previstas no CDC;
  • NR 10, de 08 de dezembro de 2004, Segurança em Instalações Elétricas e Serviços em Eletricidade, norma regulamentadora do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Comentários

Uma Resposta

  1. Laércio Fernandes disse:

    Sou técnico trabalho como autonomo. As instalações elétricas residencias estão cada vez piores. Por falta de manutenção e pior ainda por não possiir projeto eletrico e ter sido executada por pessoa sem conhecimento das normas e com ausencia de conhecimento teórico e técnico da profissão.

Deixa uma mensagem

%d blogueiros gostam disto: