A proteção contra surtos nas instalações elétricas – Posicionamento do DPS no primeiro nível de proteção da instalação

nov, 2014

Edição 105 – Outubro 2014
Por Jobson Modena

Seguindo a classificação das influências externas e análise de riscos, a ABNT NBR 5410 divide em duas as possibilidades de instalação do conjunto de DPS no primeiro nível de proteção:

1. Proteção contra surtos causados por descarga atmosférica induzidas na linha externa de alimentação ou contra surtos causados por manobra: os DPSs devem ser instalados junto ao ponto de entrada da linha na edificação ou no quadro de distribuição principal, localizado o mais próximo possível do ponto de entrada;

2. Proteção contra sobretensões provocadas por descargas atmosféricas diretas sobre a edificação ou próximo a ela: os DPSs devem ser instalados unicamente no ponto de entrada da linha na edificação. O ponto de entrada da instalação na edificação é definido como o ponto em que o condutor penetra a edificação. Esta definição pode causar conflito entre as prescrições da ABNT NBR 5410 com as contidas nas normas internas das concessionárias de fornecimento de energia elétrica, visto que o ponto de entrada, em muitos casos, pode estar localizado em segmento da instalação a montante do medidor, região da instalação conhecida como “de energia não medida”.

Há uma exceção: quando há edificações de uso unifamiliar, atendidas pela rede pública de distribuição em baixa tensão e a barra PE utilizada na caixa da medição for interligada ao BEP e essa caixa da medição não distar mais de 10 m do ponto de entrada na edificação. Nessas condições, os DPSs podem ser instalados junto a este barramento na caixa da medição.

Tecnicamente, o posicionamento normalizado do DPS é indiscutível, pois somente no ponto de entrada é obtido o caminho mais curto para que a maior parcela das correntes provenientes das descargas atmosféricas diretas saia da edificação, distribuindo a menor parte possível de corrente para o seu interior.

A questão reside em se encontrar uma solução para que essa prescrição seja atendida sem interferir no controle sobre o furto de energia, infelizmente comum no nosso país.

Temos conhecimento de que algumas concessionárias possuem modelos de compartimentos que viabilizam essa instalação, porém, a grande maioria ainda não chegou ao consenso sobre o assunto.  Sugerimos que o projetista informe por escrito a concessionária sobre esta prescrição da ABNT NBR 5410 e proponha uma solução conjunta. Como são muitos os padrões de caixas de entrada e medição, a solução se tornará individualizada (por concessionária).

Vale lembrar que essa é uma recomendação mínima de proteção e visa, basicamente, a proteção contra surto de modo comum (que ocorre entre condutores vivos e o PE ou terra) no primeiro nível de proteção da instalação. A proteção contra surto no modo diferencial (que ocorre entre condutores vivos) deverá ser executada após estudo de necessidade (proteção em função da utilização da instalação) e localização.

A verificação da necessidade de instalação de proteção contra surtos nos demais níveis de proteção deve ser feita através da aplicação da suportabilidade a tensão impulsiva que se deseja obter em cada nível de proteção da instalação.

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