A engenharia e seus objetivos

jun, 2010

Edição 52, Maio de 2010

Por Luiz Fernando Arruda

Sempre estudando, lendo papers, trabalhando e buscando implementar coisas novas, envolvidos com tecnologia todo o tempo, os engenheiros buscam manter suas carreiras atualizadas. Esta é, na verdade, uma necessidade comum a todas as profissões. E, neste turbilhão, cada um de nós, vez por outra, faz um balanço de sua própria carreira. São muitas coisas que temos para avaliar à medida que o tempo avança e, no meu caso, são mais de trinta anos.

Nesta última sexta-feira, durante a despedida de uma grande colega da Cemig que está se aposentando, pude rever amigas e amigos com os quais tive a oportunidade de trabalhar por mais de vinte anos e uma chance única de pensar e repensar meus objetivos de carreira enquanto via e ouvia meus companheiros de jornada se revezando em fazer uma justa homenagem a uma grande profissional.

A despeito de tudo que fizemos durante os anos (e foram muitas realizações com certeza), tudo se resumia aos seres humanos que ali estavam e suas famílias. Foi ficando claro que o que deixamos de herança, mesmo no trabalho, são as coisas intangíveis e, por isso mesmo, as mais importantes. Um grande profissional pressupõe um ser humano na retaguarda.

Nesta avaliação ficou bem claro para mim que estamos todos no caminho certo se levamos em conta que tudo o que fazemos deve estar a serviço do ser humano, de sua qualidade de vida e da manutenção de nosso planeta para os que virão.

Hoje, ainda empregado da Cemig, uma grande corporação da qual me orgulho de fazer parte, estou cedido há um ano para a Eletrobras, outra grande corporação que me abrigou, junto a outros colegas da Cemig nesta empreitada na área de distribuição de energia.

E, cada vez mais, penso nos benefícios do que fazemos nas corporações para as pessoas em geral. Talvez a preocupação é cada vez maior com segurança e qualidade. Talvez por isso a existência dessa preocupação em ter processos e equipamentos que permitam o uso da energia de uma forma mais adequada e racional.

De certa forma, trabalhando com a área de medição de faturamento, somos levados a estar sempre “ligados” nesta questão, pois, ao perseguir uma medição sem erros em todas as instalações consumidoras, estamos protegendo ao mesmo tempo a corporação e nossos clientes.

Isso fica bem claro quando recebemos clientes no laboratório e explicamos a eles os testes que faremos no medidor de energia e como interpretar os resultados. Na maior parte dos casos, as reclamações de medição acima do valor devido se revelam infundadas, mas, nos poucos casos em que algum erro provocou um faturamento a maior, fazemos um laudo que fundamenta o devido acerto financeiro e vamos em busca de novos procedimentos que evitem este erro. Por isso, o esforço de ter um laboratório de medição segundo as normas mais atuais e acreditado pelo Inmetro. Os diplomas ficam expostos, mas o objetivo maior é servir bem.

Este motivo explica o esforço e os procedimentos novos que viabilizam ter a medição eletrônica funcionando plenamente. O medidor é o ponto mais avançado e crítico do relacionamento da corporação na área de distribuição de energia com seus clientes. Por isso, o nosso empenho para entender e o quê de fato podemos implantar no Brasil com relação ao conceito de smart grid.

Mesmo na avaliação de projetos quando apenas verificamos a adequabilidade de certos investimentos, podemos ponderar este lado tão importante do que fazemos: o que é mais importante para as pessoas. Em qualquer atividade técnica, este exercício pode e deve ser feito e isso, com certeza, nos leva a fazer melhor e nos sentir mais úteis e encorajados a continuar.

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