Revista O Setor Elétrico

Defendendo a qualidade

Defendendo a qualidade

fevereiro 24
10:46 2017

No campo da iluminação e em outros tantos campos da economia, há constantemente uma queda de braço entre a qualidade e as forças de mercado que insistem em entregar soluções de baixo custo.

Não quero aqui definir qualidade por questões regionais, pois, em todas as economias produtoras de tecnologia, podemos achar soluções que atendam aos compradores de todas as categorias.

Então, qual o motivo da defesa da qualidade? Em quais circunstâncias a qualidade se mostra importante e quando o custo deve ser o foco da decisão?

A resposta, caro leitor, chama-se “Sociedade”. Trata-se do impacto que esta decisão cria na qualidade de vida das pessoas.

Então, vamos conversar sobre qualidade, mas não sob o aspecto do produto, vamos sim conversar sobre qualidade no âmbito da pessoa, da sociedade e como entender os processos que chegam até isso.

Entendendo a qualidade

Entender a qualidade passa por um processo de múltiplas análises, desde aspectos internos, as pessoas, até os aspectos externos, inter-relacionados no sentido das consequências da qualidade no dia a dia.

No que diz respeito às pessoas, existem as necessidades naturais, no campo da iluminação, ligada à visão, às consequências da luz nos sistemas hormonais, influências no sono, na fadiga, até na motivação.

Naturalmente quando estamos participando de qualquer tarefa, desde acordar até dormir, nosso corpo espera uma ambiência adequada com a qual ficamos preparados para agir.

Quando estas expectativas são atendidas, por exemplo, na quantidade correta de luz, no posicionamento e, por consequência, na intensidade, na cor, na capacidade de reproduzir cores, enfim, em muitos aspectos, conseguimos realizar nossos objetivos com máxima produtividade, eficácia. No entanto, quase não percebemos o ambiente corretamente iluminado, o que é natural, como que o que deve ser feito não passasse de obrigação.

Aí, caro leitor, vem a primeira questão importante na percepção da qualidade, que é o fato de não percebermos imediatamente quando um sistema nos atende perfeitamente. O que nos é mais natural é perceber o que não nos atende, o que não atende às expectativas iniciais, naturais para a execução da determinada tarefa. Mesmo quando não estamos bem atendidos, há uma péssima qualidade humana em relação à luz que se chama “adaptação”.

Então, falando de iluminação, quando recebemos algo bom, não percebemos, e quando recebemos algo ruim, nos adaptamos.

Fonte: http://www.design2sense.com/en/blog/39/blackout-bad-lighting-makes-dead/

Ocorre que a adaptação não significa que as expectativas sejam atendidas. Entre as consequências dessa aceitação estão dores de cabeça, indisposição, baixa produtividade, sono, enfim, consequências que impactam no nosso dia a dia e no resultado das nossas tarefas. Então, onde se inicia a qualidade?

Caro leitor, a qualidade inicia-se na análise das necessidades das pessoas, não de luxímetros, precisamos entender que o que projetamos e especificamos será utilizado em sistemas para as pessoas e é nisso que qualquer decisão deve se basear.

Especificando a qualidade

Vamos lá. Se você está com uma situação específica na empresa para qual presta serviço, seu cliente ou mesmo seu escritório, vamos começar a trabalhar.

Inicialmente, entender as utilizações do espaço a ser iluminado é fundamental, fazendo um breve checklist:

  • Espaço;
  • Atividade;
  • Empenho visual;
  • A importância da cor;
  • Layout;
  • Posição de trabalho e observação;
  • Presença de luz natural.

Enfim, são listados vários aspectos como estes e outros que possam ser entendidos caso a caso.

Um bom estudo das situações passa por entender quem estará presente desenvolvendo as atividades, qual a idade destas pessoas, as preferências pessoais, entender como a relação com as diversas características do dia podem influenciar a tarefa, a conexão com outros fusos horários, enfim, muitas questões que um especialista pode perceber.

Entendida a situação, passamos para o entendimento dos quesitos técnicos para que as expectativas das pessoas sejam atendidas.

 

As questões luminotécnicas mais percebidas pelos leigos são:

  • Quantidade de luz;
  • Uniformidade.

Estes quesitos são muito expressivos e, normalmente, utilizados para caracterizar a avaliação de qualidade em um projeto. Porém, caro leitor, está aí o grande problema!

No próximo artigo vamos conversar sobre esta questão no âmbito da especificação e entender como buscar atender quantidades nos afasta das qualidades. Até lá!

Sobre o Autor

Plinio Godoy

Plinio Godoy

Plinio Godoy é engenheiro eletricista e atua no campo da iluminação desde 1983. É proprietário do escritório CityLights Urban Solutions, especializado em iluminação urbana; da Godoy Luminotecnia, voltada para iluminação arquitetônica; e da Lienco Lighting Solutions, onde atua no campo da integração da iluminação e controles digitais. É coautor do livro Iluminação urbana e professor do curso de pós-graduação em Instalações Elétricas na Facens-Sorocaba. É palestrante em diversos congressos nacionais e internacionais.

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