Revista O Setor Elétrico

A revisão do Módulo 8 – Critérios de avaliação das variações de tensão de curta duração (VTCDs) – Parte 2.

A revisão do Módulo 8 – Critérios de avaliação das variações de tensão de curta duração (VTCDs) – Parte 2.

fevereiro 24
10:26 2017

A Revisão 8 do Módulo 8 do Prodist/Aneel, prevista para começar a vigorar em 2017, independentemente dos aspectos relacionados aos custos envolvidos decorrentes de sua implantação pelas distribuidoras e outros agentes, traz ao mercado (distribuidoras e consumidores) uma oportunidade de melhoria dos padrões de fornecimento de energia baseado no modelo que considera a aplicação do Fator de Impacto (FI) e outros associados. Este artigo continua essa discussão, que foi iniciada na coluna publicada na edição anterior desta publicação.

Análise de caso

A medição efetuada e representada na Figura 1 considera a avaliação de um circuito alimentador com medição próximo ao ponto de conexão (PAC) em 34,5 kV. A medição foi tomada com instrumento classe A- IEC, com resolução de 1024 amostras por ciclo e integração em valores rms a cada meio ciclo.

Foram identificados 12 eventos de VTCDs representadas na tabela junto ao gráfico que foram utilizados para o cálculo do fator de impacto. Há de se considerar os aspectos de agregação de eventos consecutivos em períodos menores que três minutos. Neste caso, deve ser considerado somente um evento durante o período de ocorrência, com o menor valor de tensão e período total desde a “saída” do limite de 0,9 pu da primeira fase e retorno a este limite da última fase.

Figura 1 - Medição de período de 19 dias de ponto de acoplamento de comum de consumidor em 34,5 kV.

Nota: O período de medição foi de 19 dias, apesar de o documento especificar um período de leitura de 30 dias.

Resultados

Figura 2 – Classificação de pontos.

A Figura 2 apresenta a classificação dos 12 pontos registrados na medição de acordo com a tabela 13 da resolução. Esta análise permite que se construa a tabela de frequências de ocorrências, fatores de ponderação e cálculo do fator de impacto “absoluto” FI(abs) e em “pu”: FI pu, representada na Figura 3.

Figura 3 – Cálculo do Fator de Impacto.

Da medição do fator de impacto de 1,09 pu, pode-se concluir que houve transgressão das VTCDs, mesmo com período de monitoração menor que 30 dias. Possivelmente, a monitoração em 30 dias aumentaria o fator de impacto.

Algumas conclusões e pontos para discussão

  • Será necessária a instalação nos pontos de conexão, ou de interesse, sistemas de medição de qualidade de energia adequados que permitam avaliar o impacto e transgressão das distribuidoras;
  • Há de se discutir se as VTCDs se originam na própria rede da distribuidora ou se é função de comportamento das cargas ou mesmo da fonte (transmissão);
  • Aspectos de justiça, isto é, éticos (e não judiciais) sobre a penalização. Efetivamente o prejuízo causado por parada de produção é muito superior a qualquer penalidade que venha a ser definida. Portanto, a oportunidade de melhoria do fornecimento é muito mais importante do que qualquer penalização. A medição deve ser utilizada como instrumento de ação corretiva, fundamentalmente;
  • De acordo com a IEC61000-4-30, os instrumentos classe A são aplicados onde medições precisas são necessárias. Como na avaliação de cumprimentos contratuais, verificação de concordância com normas e mesmo disputas;
  • Outros pontos a serem considerados estão relacionados ao período de transição quando o assunto será de fato considerado pelas distribuidoras e consumidores, avanço tecnológico necessário com instrumentação e capacitação técnica, diferenças regionais entre distribuidoras e perfis dos consumidores.

Agradecimentos

Aos colegas Mateus Duarte Teixeira, do Lactec; Gilson Paulillo, da Energisa; Rogério Lourenção e Rodolfo de Sousa, da AES Eletropaulo; pelos importantes comentários e sugestões.


Referências

[1] ANEEL - Prodist Modulo 8; revisão 8

[2] TUTORIAL: Agregação de Eventos de Variação de Tensão de Curta Duração

[3] Revisão 3 – Dezembro/2016 - Prof. Dr. José Rubens Macedo Jr.; UFU

Sobre o Autor

José Starosta

José Starosta

José Starosta é diretor da Ação Engenharia e Instalações e presidente da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco)

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