2014 em balanço

jan, 2015

Edição 107 – Dezembro de 2014
Por Luiz Fernando Arruda 

Isto mesmo! Melhor que falar em balanço de 2014 vamos tratar do equilíbrio instável do ano que vai se esvaindo na poeira (seria melhor numa enxurrada, mas fazer o quê?!).

O que podemos dizer deste ano como legado para o futuro? Será que apenas sobrevivemos?

Depois de apuradas as consequências da MP 579 (que depois de análise, como sempre eficiente, profunda e independente, de nosso valoroso Congresso virou lei 12.783/2013) vemos que temos alguns bilhões de reais em custos represados que serão repassados aos contribuintes e uma parcela aos consumidores de energia.

O que for para as tarifas de energia será colocado como culpa de São Pedro que, muito justo, provocou problemas em São Paulo e no sistema elétrico nacional. A parcela que ficar pendente será paga pelos contribuintes, os quais não saberão o que estão pagando.

As elétricas em geral perderam valor no mercado e a Eletrobras em particular. E pode ser que mais turbulência esteja chegando ao setor se as contas das empreiteiras envolvidas em obras no setor elétrico aparecerem como suspeitas.

Isso sem contar a Eletrobras, em conjunto com parceiros, e a necessidade de se investir R$ 32 bilhões. Parece que 2015 é que vai ter história para contar.

A conta da Eletrobras pendente com a Petrobras agora parece que vai ser resolvida após dura e arrastada negociação. Provavelmente, a Petrobras hoje se mostra mais disposta a negociar os bilhões que o setor elétrico lhe deve. Nada como o tempo e a necessidade de caixa para facilitar as coisas.

E as distribuidoras da Eletrobras? Continuam distribuindo prejuízos aos brasileiros, apesar de todo o esforço de gestão que tem sido feito e dos elevados investimentos. Será melhor privatizar? Se isto, por si só fosse solução, não teríamos experimentado a tragédia que se abateu sobre o Grupo Rede, com prejuízos que ultrapassaram a casa dos R$ 5 bilhões.

E como andam os investimentos mais recentes? Será que toda a participação do setor público tem resultado positivo para os investimentos feitos (nosso dinheiro, nunca podemos nos esquecer deste importante detalhe)?

A Usina de Santo Antônio vai gerar tudo que se previa? Os contribuintes podem festejar o sucesso do uso de “novas tecnologias” embarcadas nas turbinas revolucionárias lá utilizadas?

E o que dizer das térmicas tão combatidas uma década atrás? Deram conta do recado e estão nos mantendo iluminados e refrigerados enquanto as chuvas (ainda abaixo da média histórica) não comparecem.

E o que fizemos para racionalizar o consumo de energia elétrica no país? Vimos nascer políticas públicas para viabilizar energias alternativas?

Onde foi parar a tarifa branca? E as bandeiras que mostrariam aos incautos consumidores de energia elétrica que a situação está feia! Nem me atrevo em falar em cores (hoje tudo pode ser mal interpretado), mas bem que já poderia ser criada uma bandeira roxa para sinalizar o quanto a “coisa” está mal.

E “smart grid”? Somente uma empresa distribuidora partiu para investimentos que devem ter continuidade. No mais, aquelas experiências de cidades espertas se perderam nos erros das tecnologias empregadas e a festa dos bois vai continuar sem “high tech” quando os geradores a diesel de Parintins estiverem a plena carga ano que vem. 

Então! Graças que este ano acabou!
Parecia que nem isto ia acontecer!

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